TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #547, Aug 15, 2008

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    Editorial: Por que pessoas que o governo diz que não existem ficam me escrevendo?

    David Borden, Diretor-Executivo

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    David Borden
    Um dos mantras no movimento proibicionista é a afirmação de que "a maconha medicinal é um embuste". Chamam-na de "um embuste cruel" quando se sentem especialmente inflamados ou ameaçados.

    Nós no movimento reformador das políticas de drogas ficamos perplexos freqüentemente com isto. Afinal, nós conhecemos pacientes de maconha medicinal mesmo - sim, pacientes de maconha medicinal de carne e osso. Interagimos com eles em conferências. Os ajudamos com os protestos. Dentre nós, alguns fazem pressão com eles no Congresso ou nas assembléias. Os parentes deles são nossos amigos e colegas também.

    No mês passado, durante os últimos trabalhos em torno da emenda Hinchey-Rohrabacher sobre a maconha medicinal, muitas pessoas preocupadas com a questão nos mandaram mensagens e algumas delas eram pacientes. Publiquei alguns de seus comentários no nosso blog, mas acho que merecem ser reimpressos aqui.

    "Tive esclerose múltipla e transtornos convulsivos durante 13 anos. Tentei me valer da legalidade e só fiquei mais e mais doente, até chegar ao ponto de ficar de cama o dia todo. Logo, experimentei a maconha e, para mim, é uma droga milagrosa! Não fico eufórica com a maconha, ela me ajuda a relaxar os meus músculos e elimina os espasmos. Nem é preciso dizer que é a única maneira pela qual sinto apetite de comer algo. Como é que alguém pode me dizer: para você não tem maconha medicinal?

    "Há seis anos, fui literalmente abatida pela fibromialgia. Simplesmente acordei e não conseguia deixar o leito. Eu me arrastava em vez de caminhar durante grande parte do tempo, já que era menos doloroso. O meu marido teve que me colocar na privada, me dar banho, cozinhar, etc., porque eu não era de nenhuma valia para ninguém, inclusive para mim mesma. Também não sentia apetite. Perdi 9 quilogramas em semanas, virando uma cinqüentona frágil de 45kg. O meu marido achava que talvez a maconha pudesse me ajudar no meu apetite, então foi 'consegui-la' para mim. Não só restaurou o meu apetite, também eliminou muitas dores. Fico brava em pensar que nós dois podíamos ter sido presos. Quando é que este país vai acordar?!

    "Tive que voltar a um estado que não permite o consumo medicinal de maconha - antes, eu morava no estado do Maine, que o autorizava - e é muito difícil encontrar alívio para as minhas dores agora. O meu médico dobrou as minhas medicações e não obtenho o controle das dores que conseguia com metade dos entorpecentes mais o fumo. Espero que algum dia o governo pare de demonizar uma ferramenta muito útil e permita que obtenhamos alívio de verdade sem o abuso da droga".

    Por que essas pessoas que o governo afirma inexistir ficam me escrevendo? Acabou o "embuste" - embuste é chamá-lo de embuste. Outro argumento particularmente equívoco que ouvimos dos proibicionistas é o de que "há remédios melhores" do que a maconha para as doenças tratadas pelas pessoas com ela. Mesmo se isso fosse verdade (geralmente, como afirmam), a idéia de que há remédios melhores contém implicitamente dentro dela a implicação de que a maconha é pelo menos um remédio - e, portanto, não é um embuste.

    Porém, o argumento possui defeitos fundamentais. A medicina é uma questão individual. O melhor medicamento para mim, para uma enfermidade determinada, pode não ser o melhor para você, mesmo se padecer da mesma doença e vice-versa. Sem dúvida, alguns remédios se destacam por terem um histórico superior aos demais - inquestionavelmente, alguns se destacam pelos seus pontos negativos também e pode ser que existam doenças para as quais uma escolha de remédio é realmente o melhor em todos os níveis. Mas, em geral, isso não acontece - a idéia de que há um medicamento melhor para todos os pacientes é falsa e ser o "melhor" não é o padrão em vigor para a aprovação de uma droga enquanto remédio. O padrão diz que a droga deve ter um benefício medicinal e ser ingerida com um grau suficiente de segurança. Aqueles que discutem que há remédios melhores do que a maconha estão aplicando uma dupla moral que não faz muito sentido.

    Então, quem está cometendo o embuste? (Dica: Eu é que não.)

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