TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #541, Jun 27, 2008

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Matéria: DEA invade dez dispensários de Los Ângeles no mesmo dia em que Câmara Municipal pede que saia fora

No que parece ser a última ação em uma campanha cada vez mais intensa de ataques contra os dispensários californianos de maconha medicinal, na quarta-feira a DEA invadiu 10 dispensários da área de Los Ângeles, confiscando maconha, produtos à base de maconha, dinheiro e duas armas. As apreensões aconteceram no mesmo dia em que a Câmara dos Vereadores de Los Ângeles apresentou um decreto-lei para regularizar os dispensários na cidade e aprovou uma resolução que convoca as autoridades federais a pararem de processar os fornecedores de maconha medicinal que agem legalmente conforme a lei californiana.

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cobertura da imprensa local
Os reides não aconteceram sem serem questionados, quer por funcionários municipais, quer por ativistas. Quando os agentes da DEA invadiram o Los Angeles Patients and Caregivers Group (LAPCG, sigla em inglês) no Bulevar Santa Mônica, enfrentaram mais de cem manifestantes, que bloquearam o acesso ao prédio e cercaram os veículos da DEA para impedir que os invasores levassem o pessoal do dispensário. Cinco pessoas foram presas nesse incidente.

Um porta-voz da DEA em Washington disse à Crônica que cinco prisões foram feitas durante as apreensões, mas parece que essas prisões foram de pessoas que tomaram parte na desobediência civil para protestar contra os reides - não de donos nem de empregados dos dispensários.

"Algumas pessoas foram presas por desobediência civil após montarem barricadas na própria instalação porque os agentes federais estavam prendendo as pessoas lá dentro", disse Kris Hermes, diretor de comunicação do Americans for Safe Access (ASA, sigla em inglês), o grupo de defesa da maconha medicinal cuja rede de resposta imediata traz manifestantes em resposta a tais reides. "Contamos com pelo menos duzentas pessoas muito agitadas com o que a DEA estava fazendo e algumas delas decidiram obstruir os agentes. A DEA foi impedida de poder processar aqueles que estavam lá dentro e, por isso, os soltaram", disse.

Os funcionários municipais que haviam apresentado no mesmo dia um decreto-lei que pedia uma moratória sobre os novos dispensários na cidade enquanto redige normas que governem o funcionamento deles, mas que também pedia à DEA que parasse de processar os fornecedores de maconha medicinal, também reagiram com raiva. O vereador municipal Dennis Zane, autor da carta, chamou a agência de "valentões" em uma coletiva de imprensa pré-marcada que aconteceu enquanto os reides ocorriam.

"Estou muito perturbado que a Administração de Repressão às Drogas dê início a uma ação repressiva contra instalações de maconha medicinal na cidade de Los Ângeles durante uma entrevista coletiva a respeito do apoio da Câmara Municipal a um decreto-lei de fiscalização interina para regularizar todas as instalações dentro da cidade", disse Zine. "Esta ação da DEA é contrária ao voto dos californianos que foram esmagadoramente a favor de apoiar o consumo de maconha medicinal de parte daqueles que enfrentam doenças graves e mortais", disse. "A DEA precisa concentrar a atenção e a ação repressiva dela nos traficantes de drogas ilegais que estão aterrorizando as comunidades em Los Ângeles".

Apesar dos protestos nervosos de pacientes, ativistas e funcionários eleitos, a DEA não se comoveu. "Exige-se da DEA que imponha a Lei de Substâncias Controladas [Controlled Substances Act]", respondeu a porta-voz lacônica, Rogene Waite, quando indagada sobre a oposição que as apreensões estão engendrando. "Não houve nenhuma mudança em nossas políticas", disse ela quando inquirida se os reides davam mostras de uma nova ofensiva.

Mas, apesar dos protestos da DEA, uma escalada da atividade da DEA voltada para os dispensários parece evidente. Dúzias de dispensários foram invadidas neste ano, inclusive 11 em Los Ângeles em janeiro. Centenas de casos de maconha medicinal estão pendentes nos tribunais federais na Califórnia. Na semana passada, a DEA e o Ministério da Justiça anunciaram que os indiciamentos de quatro funcionários de dispensário, dois na área de Los Ângeles, um em São Luis Obispo e um em Bakersfield. E, no início deste mês, a DEA e o Ministério da Justiça revelaram uma tática nova em sua guerra contra a maconha medicinal. As autoridades federais em Los Ângeles enviaram uma carta a dúzias de senhorios de dispensários advertindo-os de que podiam sofrer o seqüestro das propriedades deles ou mesmo acusações criminais se prosseguissem alugando para dispensários.

"Parece que a DEA está intensificando a sua campanha contra a maconha medicinal", disse Hermes do ASA. "Não há só o número crescente de apreensões em Los Ângeles, mas também as ameaçadas aos proprietários que escolherem alugar para fornecedores de maconha medicinal. Isto equivale a intimidação e é uma última tentativa do governo federal de solapar a lei de maconha medicinal do estado".

"É uma escalada e muito assustadora", disse Bruce Mirken, diretor de comunicação do Marijuana Policy Project (MPP, sigla em inglês). "Não podem deter o ímpeto da maconha medicinal porque a verdade, o bom senso e a decência estão conosco, mas, enquanto isso, podem infligir muito sofrimento a muita gente".

Para o diretor da NORML Califórnia, Dale Gieringer, os reides são como os últimos movimentos da causa de um dinossauro moribundo. "É uma ação de resistência da DEA", disse. "Perseguiram o coração do ativismo responsável da cânabis medicinal ao irem atrás do grupo California Patients and Caregivers. As pessoas se reuniam ali para lidar responsavelmente com a questão dos dispensários. Isto é uma ofensa a Los Ângeles e acho que as pessoas ali vão terminar ficando tão bravas quanto já estão na Alta Califórnia", previu.

Contudo, disse Gieringer, os reides não deterão os dispensários. "Já há 400 deles pelo estado afora, talvez, quem sabe?" disse. "Se a DEA estiver tentando suprimir os dispensários, chegou vários anos tarde demais".

A batalha entre os repressores federais das drogas e o povo, os pacientes e os funcionários eleitos da Califórnia pela maconha medicinal continua. O Congresso podia ter feito com que a DEA baixasse a bola aprovando a emenda Hinchey-Rohrabacher, que teria cortado o financiamento federal para as apreensões, mas escolheu não fazer isso na quarta-feira à noite, horas depois que os últimos reides aconteceram. Isso significa que, pelo menos por enquanto, é com o povo da Califórnia proteger a si mesmo.

Os defensores da maconha medicinal e companheiros ativistas tomarão providências para fazer isso na sexta-feira. O ASA convocou manifestações contra os reides pelo estado afora na sexta-feira de manhã. A desobediência civil já estourou no Bulevar Santa Mônica. Talvez haja mais no futuro.

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