Matéria: Em escândalo proliferante por operações políticas da Casa Branca, presidente de comissão da Câmara acusa secretaria antidrogas de fazer eleitoralismo
O escândalo cada vez maior pelo comprometimento das operações políticas da Casa Branca no que deveriam ser atividades apartidárias dentro do governo federal engoliu o Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas (ONDCP, a sigla em inglês para a secretaria antidrogas) nesta semana. Na terça-feira, o deputado Henry Waxman (D-CA), o poderoso presidente do Comitê de Operações e Reforma do Governo da Câmara, acusou o ONDCP de fazer eleitoralismo em nome de senadores e congressistas republicanos vulneráveis nas preliminares para as eleições do mês de novembro passado. Waxman está convocando uma ex-alta funcionária da Casa Branca a prestar depoimento no comitê na semana que vem e a preparar-se para comparecer ao comitê por volta de 30 de julho.

John Walters - está pego
Um e-mail de Doug Simon em resposta ao memorando pós-eleitoral de Taylor só deu mais munição a Waxman e outros críticos da politização de agências e atividades federais de parte da Casa Branca. Nele, Simon resumiu uma reunião que teve com o guru político da Casa Branca, Karl Rove.
"Só queria dar a todos um sumário de uma atualização de 07 de novembro que recebi ontem à noite. O pessoal presidencial armou uma reunião de todos os coordenadores da Casa Branca do Governo e o escritório de assuntos políticos da CB", escreveu Simon. "Karl Rove abriu a reunião com um agradecimento por todo o trabalho feito nas aparições sucedâneas de membros do Gabinete e pelo deslocamento de emergência. Ele agradeceu especificamente, por ir além do dever, o ministério do Comércio, dos Transportes, da Agricultura E o Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas da CB. Este reconhecimento não é algo que ouvimos todos os dias e deveríamos ter certeza de que o nosso trabalho duro é percebido. Tudo isto se deve aos nossos trabalhos de preparar o diretor e os vices para as suas viagens e eventos. O diretor Walters e os vices cobriram milhares de quilômetros para assistirem a numerosos eventos oficiais pelo país afora. O diretor e os vices merecem o máximo de reconhecimento porque eles realmente tiveram que desistir de passar o tempo com as famílias deles pelos malditos lugares a que os mandamos".

Henry Waxman
"A lista de funcionários republicanos nomeados em seu memorando se parece com uma lista dos congressistas republicanos mais vulneráveis que procuravam a reeleição em 2006", escreveu Waxman. "O seu memorando identifica 29 eventos com 26 titulares republicanos. As avaliações do analista político Charlie Cook em outubro e novembro de 2006 consideravam 'competitivas' as disputas à reeleição de 23 dos 26 candidatos identificados em seu memorando, 15 das disputas foram listadas como 'indecisas'. A sua lista incluía onze candidatos republicanos que perderam, dez que ganharam as disputas deles com menos de 53% dos votos e dois que venceram com menos de 1.100 votos. Você não incluiu nenhum democrata nem independente em seu memorando de viagem sugerido pelo diretor do ONDCP".
Tradicionalmente, o ONDCP tem sido um gabinete apartidário. Uma lei de 1994 proíbe os funcionários da agência de tomar parte em atividades políticas mesmo no tempo livre deles e com certeza às custas dos contribuintes.
Em 2003, graças a um questionamento da campanha da secretaria antidrogas contra uma iniciativa eleitoral do Nevada do Marijuana Policy Project (MPP, sigla em inglês), o Gabinete de Conselho Especial sustentou que o secretário antidrogas está sujeito às constrições da Lei Hatch, que proíbe a politicagem partidária de empregados do governo federal. A decisão trouxe poucos benefícios imediatos ao MPP - o conselho especial sustentou que a proibição não se aplicava a iniciativas apartidárias -, mas parecia ser aplicável no caso presente.
Dizem por aí que os críticos da politização da secretaria antidrogas ficaram indignados, indignados. "São provas escandalosas de que o secretário antidrogas, John Walters, e o presidente Bush estavam ajudando um ao outro", disse Bill Piper, diretor de assuntos nacionais da Drug Policy Alliance (DPA, sigla em inglês). "Walters utilizou dinheiro do contribuinte para fazer campanha a favor dos republicanos, enquanto que o presidente Bush ignorou os fracassos da agência e aumentou o financiamento de programas que os seus próprios analistas determinaram que eram ineficazes".
Os memorandos e e-mails recentemente lançados são só as últimas provas de que o ONDCP usa o dinheiro do contribuinte para influenciar os eleitores. Durante uma ação federal de 2000, surgiram provas que mostravam que o ONDCP criou a sua campanha publicitária televisiva antimaconha de bilhões de dólares para influenciar os eleitores a recusarem as medidas eleitorais estaduais em prol da maconha medicinal. O secretário antidrogas e o pessoal dele também são rotineiramente acusados de se valerem do dinheiro do contribuinte para viajarem a estados a fim de convencerem eleitores e legisladores a repudiarem a reforma das políticas.
"Até quando o secretário antidrogas usará dinheiro do contribuinte para influenciar os eleitores antes que o Congresso tome providências?", perguntou Piper.
"O ONDCP é acusado de desenvolver estratégias eficientes para reduzir o abuso químico e os problemas associados a ele", disse Kris Krane, diretor-executivo do Students for Sensible Drug Policy (SSDP, sigla em inglês). "Em troca, sob a liderança do apontado político John P. Walters, o ONDCP desperdiçou tempo e recursos ilegalmente levando a cabo agendas ideológicas e política partidária".
À luz das últimas provas da improbidade do ONDCP, o SSDP está pedindo a renúncia de Walters. O grupo criou um abaixo-assinado para ser enviado a Walters e aos seus supervisores do Congresso em que as pessoas que concordam que Walters deveria renunciar podem divulgar a mensagem delas.
O Marijuana Policy Project vem se queixando há muito da interferência do ONDCP nas campanhas por iniciativas estaduais e ficou pouco surpreso com as últimas revelações. "Estas viagens de campanha em 2006 não foram nada novo", disse o diretor de relações governamentais do MPP, Aaron Houston. "Walters e seus ajudantes estiveram usando o dinheiro do contribuinte para interferirem nas campanhas eleitorais estaduais desde 2002 pelo menos e por isso entramos com uma ação fundada na Lei Hatch naquele mês de dezembro".
Então, há muito mais a descobrir no tocante ao ONDCP, de acordo com Houston, se os investigadores se importarem em procurar. "John Walters é um infrator da lei em série", disse. "Agora, o Comitê de Supervisão e Reforma do Governo está investigando algumas infrações particularmente descaradas, mas Walters só esteve fugindo da punição durante tanto tempo porque, até agora, a Casa Branca investigou a si mesma".
Que diferença faz uma eleição legislativa. Com os democratas no poder e mais do que dispostos a averiguar os trâmites do governo Bush, agora o ONDCP anda diretamente na mira dos investigadores do Congresso.

















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