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Edição #609, Nov 20, 2009

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    América Latina: Câmara vota em corte do financiamento da Iniciativa Antidrogas Andina e começa a mudar a ênfase da ajuda para desenvolvimento socioeconômico

    Na sexta-feira passada, a Câmara dos Deputados dos EUA votou na redução do financiamento das forças de segurança colombianas sob a Iniciativa Andina e o aumento da assistência ao desenvolvimento. A medida que foi aprovada pela Câmara também corta o financiamento e cria condições mais estritas para a fumigação aérea com vistas a reduzir o cultivo de coca. A medida, aprovada como parte do projeto de ajuda a países estrangeiros de 2008, o HR 2764, agora se dirige ao Senado, onde os críticos democratas das políticas do governo Bush para a Colômbia estão à espreita.

    Desde o ano 2000, o Congresso alocou mais de $4.3 bilhões - mais de $3.3 bilhões à polícia e aos militares - à Iniciativa Andina do governo Bush, a tentativa estadunidense de eliminar a capacidade produtora de coca da região e a economia relacionada à cocaína. Mas, a pesar de todos os bilhões gastos e as centenas de milhares de acres de lavoura colombiana fumigada, a produção de coc acontinua quase no mesmo nível que estava em 200 e os preços da cocaina nos EUA continuam caindo a pique, um indício-chave de ofertas amplas.

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    a integrante (e ex-líder) das Seis Federações (bolivianas), Vitalia Mérida, no pátio dela. Ela diz que agora há paz no Chapare, mas não prosperidade. Os filhos dela não querem ir à escola porque não têm dinheiro; em troca, querem sair para trabalhar na cidade. (Foto do editor da Crônica, Phil Smith, fevereiro de 2007)
    A ajuda militar tem respondido por mais de 75% de toda a ajuda estadunidense sob a iniciativa desde a sua concepção. Este projeto diminuía essa parte para 55%, com 45% indo para o auxílio social e humanitário, incluindo pela primeira vez verbas para a minoria afro-colombiana do país.

    De acordo com uma análise do Center for International Policy, o governo Bush procurou $450 milhões para os militares colombianos para o ano que vem, mas a Câmara o cortou em $160 milhões. E embora o governo Bush buscasse $139.5 milhões para a assistência ao desenvolvimento, a Câmara o financiou com $241 milhões, fazendo com que a ajuda socioeconômica respondesse por 45% das verbas conforme o projeto de auxílio, comparados com os 24% que teria sido segundo a proposta de Bush.

    Em seu relatório narrativo que acompanhava o projeto, o Comitê de Diretrizes Orçamentárias da Câmara expôs o seu raciocínio para a mudança na ênfase. "O Comitê está preocupado que a meta perene de reduzir o cultivo, o processamento e a distribuição da Colômbia para restringir as ofertas o suficiente a fim de fazer subir os preços e diminuir a pureza não tenha dado certo e que a economia das drogas continue crescendo - enfraquecendo mais a estrutura da sociedade colombiana", apontou o relatório. "O Comitê observa que agora este é o oitavo ano de um plano de vários anos que evolui cada vez mais. Este programa não está funcionando e a solicitação do Governo para a Colômbia no ano fiscal 2008 é virtualmente idêntica às solicitações anteriores, o que contradiz as garantias que o Governo tem proporcionado ao Congresso durante todos os anos de que o componente social na ajuda colombiana seria aumentado consideravelmente e que a 'colombianização' gradual do programa entraria em vigor".

    "Este projeto reconhece que chegou a hora da mudança nas nossas políticas para a Colômbia", disse o deputado Peter Welch (D-VT) em um debate no plenário na quarta-feira.

    Os defensores de uma política mais esclarecida para a Colômbia e a guerra às drogas mal podiam esperar por tal mudança. "Embora não existam soluções fáceis, o projeto aprovado pela Câmara vai na direção certa", disse Joy Olson, diretora-executiva do Gabinete em Washington para Assuntos Latino-Americanos.

    "Este é um projeto muito bom", disse o Center for International Policy. "Mostra que se pensou bastante em tentar entender esta política".

    A lei de diretrizes orçamentárias para a ajuda a países estrangeiros dá provas de novo de que uma eleição legislativa pode fazer toda a diferença do mundo.

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