TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #549, Aug 29, 2008

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    América Latina: A produção colombiana de coca está em alta outra vez apesar dos tremendos trabalhos de erradicação

    Na segunda-feira, o governo dos EUA informou que a quantidade de terra sob cultivo de coca na Colômbia aumentara pelo terceiro ano consecutivo. De acordo com o Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas (ONDCP, sigla em inglês), o cultivo cresceu 9% no ano passado para uns 388.500 acres apesar de uma tremenda campanha de fumigação aérea de herbicidas.

    http://stopthedrugwar.org/files/coca-seedlings.jpg
    mudas de coca
    Embora o ONDCP não informasse sobre os dados de 2006 até a segunda-feira, o presidente colombiano Álvaro Uribe anunciou as descobertas no fim de um longo discurso na última sexta-feira, em uma aparente tentativa de inocular os dois governos das críticas de que as políticas de drogas estadunidenses na região são ineficientes e contraproducentes. Uribe chegou a Washington na quarta-feira, acima de tudo para instar a aprovação de um acordo comercial bilateral, mas também para fazer pressão pela continuação da assistência dos EUA.

    "Ontem [na quinta-feira passada] me diziam que tinham muita preocupação para revelar esse número pela minha viagem aos Estados Unidos. Podem revelá-las", disse ele. "Por isso, eu as revelo já. Este tema aqui não é de cosmética, mas de fundo. Desencadeamos uma luta com toda a nossa vontade, com toda a nossa determinação", disse Uribe. "Será que trabalhamos em vão? Será que todo esse trabalho não produz resultados?"

    Os EUA gastaram mais de $5 bilhões e fumigaram mais de 2,1 milhões de acres de terras de lavoura colombianas desde 2000 na tentativa fracassada de erradicar a produção de cocaína colombiana. Mais precisamente, o Plano Colômbia pediu que a produção de coca fosse reduzida pela metade em cinco anos, mas, de acordo com as últimas estimativas, a Colômbia está produzindo 27% mais coca do que em 1999, um ano antes que o plano entrasse em vigor. As tendências de longo prazo para abaixar o preço da cocaína e aumentar a pureza também sugerem que todos os bilhões causam pouco impacto sobre a disponibilidade da cocaína.

    Em sua nota à imprensa da segunda-feira, o ONDCP deu tudo de si para mudar os resultados decepcionantes. "Estatisticamente, não houve mudança" na produção de coca, afirmou o ONDCP duas frases antes de apontar um aumento de 33.000 acres na área sob cultivo. As respostas criativas dos cocaleiros aos trabalhos de erradicação - mudar-se para terrenos menores, mudar-se para áreas fora dos limites do programa de fumigação, reconstituir rapidamente os cultivos fumigados - criaram "grandes desafios" a alcançar uma estimativa confiável, explicou o ONDCP.

    "Ao invés de enfraquecer a dependência da coca dos agricultores, a fumigação serve para reforçá-la", disse o sócio sênior do Gabinete em Washington para Assuntos Latino-Americanos, John Walsh. "Insistir neste ponto de que mais fumigação inibirá de alguma maneira os agricultores de replantar não só não é realista, mas ilusório".

    É um sentimento que também está sendo ouvido nos salões do Congresso atualmente. Na terça-feira, o subcomitê da Câmara que supervisiona o auxílio ao exterior propôs mudanças importantes nas políticas antidrogas estadunidenses na Colômbia. Segundo essa proposta, o financiamento para os militares colombianos seria reduzido em $150 milhões e mais $100 milhões seriam realocados para estimular o desenvolvimento econômico e o sistema judiciário.

    Se a proposta defendida pela deputada Nita Lowey (D-NY) tiver sucesso, a parte dos militares da assistência estadunidense cairia de 80% para 55%. Mas a Colômbia ainda continuaria sendo o terceiro maior beneficiário do auxílio dos EUA a outros países atrás do Oriente Médio e do Afeganistão.

    "Há muito que tenho sentido que as nossas políticas na Colômbia eram ineficazes e equívocas", disse Lowey à Associated Press na quarta-feira. "A minha proposta realinharia o financiamento com uma divisão mais igual".

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