TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #555, Oct 10, 2008

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    Matéria: Fórum de livro em Washington solta faíscas enquanto os autores de "Lies, Damn Lies, and Drug War Statistics" confrontam um funcionário do ONDCP

    (A DRCNet continua oferecendo este livro como prêmio aos membros - leia mais aqui.)

    O libertariano Instituto Catão foi o palco do confronto das políticas de drogas na última quinta-feira, enquanto um destacado funcionário do Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas (ONDCP, sigla em inglês - a secretaria antidrogas) e dois dos críticos acadêmicos mais duros do ONDCP trocaram farpas e expuseram estatísticas a respeito das metas do ONDCP, se as alcança e como trata - ou maltrata - os dados.

    O Dr. David Murray, chefe de ciência do ONDCP, ficou em maus lençóis quando os professores da Universidade Estadual Apalache, Matthew Robinson (justiça penal) e Renee Scherlen (ciência política), os autores de "Lies, Damned, Lies, and Drug War Statistics: A Critical Analysis of Claims Made by the Office of National Drug Control Policy" [Mentiras, malditas mentiras e as estatísticas da guerra às drogas: Uma análise crítica das afirmações feitas pelo Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas] submeteram a sua agência a um ataque sustenido pelo que eles chamaram de mal-uso e manipulação dos dados usados para avaliar se o ONDCP está fazendo o seu trabalho.

    Explicando que Scherlen e ele tinham analisado consecutivas Estratégias Nacionais de Controle das Drogas anuais, o documento em que o ONDCP estabelece as suas metas e mede os seus sucessos em alcançá-las, Robinson passou imediatamente à ofensiva. "A nossa análise sugere que a estratégia sobre as drogas não é um documento honesto, mas, na verdade, apenas um documento político que só reforça a ideologia dominante da guerra às drogas e mantém o status quo", disse ele.

    Então, Scherlen e ele passaram os próximos 30 ou 40 minutos mostrando como exatamente o ONDCP manipulava os fatos, mudava as metas, misturava as estatísticas e alavancava os dados sobre o consumo de drogas, sobre o custo da guerra às drogas e sobre o sucesso das políticas de drogas estadunidenses na América Latina. "O ONDCP mudou os alvos em seus orçamentos e estratégias nacionais, impossibilitando avaliar se está cumprindo bem as suas metas da guerra às drogas ou não", disse Robinson. "Concentra-se nas boas notícias como quedas de curto prazo e ignora as notícias ruins, apresenta seletivamente as estatísticas favoráveis ao seu caso e às vezes faz afirmações que são puramente falsas".

    "Quando se trata de estatísticas, eles inventam os documentos", resumiu Scherlen.

    "Este não é o melhor momento do [Instituto] Catão", replicou Murray, após passar pelo ataque sustenido. "Presenciamos um ataque contra a minha integridade, a do meu chefe e a do ONDCP. Nossa!", exclamou. "É um indiciamento devastador... se fosse verdade, mas não é. Em troca, é uma série de confusões, mal-entendidos e ignorância da parte dos pesquisadores, que projetam em nós enquanto nossa perfídia e engano intencional".

    Murray atacou Robinson e Scherlen por incluírem os dados de consumo de drogas dos anos 1990 e sugeriu que o ONDCP e seu diretor atual, John Walters, não deveriam ser culpados pelo que ele descreveu como os fracassos do governo Clinton. "Não foi este governo que estava estabelecendo as metas e prestando contas então. Houve progresso desde que Walters assumiu em 2001", disse, citando as recentes tendências de queda no consumo de drogas entre os jovens.

    Murray também fez a afirmação incomum de que as menções nos prontos-socorros e mortes relacionadas com as drogas em alta "não são medidas atuais do consumo de drogas em alta ou queda", mas, em troca, refletem as decisões de anos atrás de começar o consumo de drogas.

    Ele também atacou a idéia de que acabar com a proibição das drogas reduziria o dano, dizendo que a idéia de que as leis sobre as drogas, não as drogas, eram o problema era "um engano saído de discussões de dormitório em noites passadas em branco na faculdade". Mas, de novo, ele usou uns argumentos pouco comuns. "Vejam só como está o México, a morte e a destruição do narcotráfico", discutiu, "são as leis que fizeram com que isto aconteça ou que estas substâncias sejam profundamente perigosas?" Alguns fôlegos depois, Murray caçoou dizendo: "Acham que as pessoas não bateriam nas suas esposas quando estivessem doidonas?" se as drogas fossem legais.

    Tirando o excesso retórico, Murray também se valeu do argumento proibicionista mais forte: "Estamos salvando vidas e reduzindo as patologias sociais; quando diminuímos o abuso químico, causamos impacto. Temos que tentar reduzir a oferta e a demanda".

    Foi um bom evento, disse Timothy Lynch, diretor do Projeto de Justiça Penal do Instituto Catão, o qual apresentou a discussão. "Normalmente, o ONDCP recusa o convite, então ficamos satisfeitos que eles decidissem mandar um representante", disse Lynch. "Foi a primeira vez que vi este cara. Ele chegou e a sua apresentação começou com energia, mas enquanto prosseguia começou a perder as pessoas e ficou condescendente. Não acho que estivesse conquistando alguém para a sua posição".

    Ouvir a discussão deve ser útil para os demais também. "Será um bom recurso para as pessoas que se preparam para a vinda do secretário antidrogas Walters ou Murray a suas áreas", disse Lynch. "Podem ouvir os argumentos e preparar as suas refutações".

    "Os autores fizeram um trabalho muito bom, delineando uma série de problemas na maneira que os dados são apresentados pelo ONDCP", disse Eric Sterling, diretor da Criminal Justice Policy Foundation. "A resposta de Murray não foi muito direta e ele tomou parte em ataques ad hominem. Mas, é um agente de relações públicas muito eficaz, ele tem voz e presença boas e parece ter muita autoridade".

    Uma coisa que espantou Sterling, disse, foi a mudança de título de Murray. "Ele costumava ser um analista sênior de políticas, mas agora leva o título de chefe de ciência. Parece muito crível e confiável, mas é uma jogada de relações públicas o fato de que alguém que é, em essência, um porta-voz e propagandista assuma esse título", disse Sterling.

    "Respeito muitíssimo o Dr. Murray por vir a estes eventos e ficar em uma situação em que está totalmente em desvantagem", disse Tom Angell, diretor de relações governamentais do Students for Sensible Drug Policy. "É claro, não concordo com 99% do que ele diz, mas é bom que esteja saindo para conversar".

    Como disse o Mahatma Gandhi: "Primeiro te ignoram. Daí dão risada de você. Depois te enfrentam. Aí você vence". Pela presença de Murray e a resposta às críticas, parece que agora estamos em algum lugar entre os estágios dois e três.

    Veja ou ouça em inglês o fórum nos arquivos do sítio do Instituto Catão aqui.

    (A DRCNet continua oferecendo este livro como prêmio aos membros - leia mais aqui.)

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