TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #562, Nov 28, 2008

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    Editorial: Tanto os presidentes quanto os papas deveriam se lembrar das lições da história sobre a proibição

    David Borden, Diretor-Executivo

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    David Borden
    As coisas não estão indo bem na guerra às drogas do México. As manchetes o refletem:

    "A violência pode voltar a Oaxaca"

    "Guerra às drogas intensificante agarra o México"

    "23 morrem em irrupção de violência no México"

    "Soldados versus narcosoldados"

    "Hotel com chapas de aça oferece refúgio em guerra às drogas do México"

    "A violência no México preocupa os dois lados da fronteira"

    Só para mostrar algumas. Aproximadamente 2.000 mexicanos morreram na violência do narcotráfico em 2006, de acordo com os informes da imprensa. O presidente Calderón continua firme, dizem também as manchetes:

    "México não abandonará a guerra contra as gangues do tráfico de drogas"

    "Calderón do México promete não dar marcha a ré na guerra às drogas"

    Continuar firme enquanto o seu país se afunda na areia movediça da proibição. A intensificação do combate contra o narcotráfico do presidente começou quase imediatamente na sua posse, mas os assassinatos da guerra às drogas se intensificaram pouco tempo depois. Não é a primeira vez, de jeito nenhum, que a repressão às drogas tem provocado um aumento na violência do narcotráfico. E não é, de jeito nenhum, é lógico, a primeira vez que o México tem sofrido de tal violência.

    Um assassinato particularmente trágico e infame da guerra às drogas foi o de Juan Jesús Cardinal Posados Ocampo, arcebispo de Guadalajara, há 14 anos ontem nas mãos de uma equipe de brutamontes de um cartel do narcotráfico no aeroporto da cidade. Ocampo foi celebrado como mártir, apesar de teorias recentes sugerirem que os assassinatos podem tê-lo confundido com um chefão rival do chefe deles. Ruim, de qualquer jeito.

    Talvez o papa Bento XVI foi amigo de Ocampo - isso não parece improvável - e talvez ele estava com Ocampo na cabeça quando, em uma visita a um centro de tratamento químico franciscano no Brasil neste mês, ele advertiu aos traficantes na América Latina que eles enfrentariam a justiça divina pelo "mal que estão provocando a uma multidão de jovens e de adultos de todos os segmentos da sociedade".

    Claramente, há muitos traficantes que merecem tal julgamento. Mas, concentrar-se somente no papel deles no sistema - como muitos políticos têm feito - é simplificar a questão até o ponto da disfunção. Os líderes políticos que promulgam as leis da proibição também merecem o julgamento divino pelas ações deles? Afinal, são as leis deles que sustentam o mercado negro e causam a violência mandando os bilhões que as pessoas gastam em drogas todos os anos ao submundo do crime. E são as leis deles que levam os dependentes a tomarem medidas desesperadas forçando-os ao submundo com todas as suas inseguranças, aos seus altos preços de rua e à ameaça de punição da lei.

    Tanto os presidentes quanto os papas deveriam se lembrar das lições da história e da experiência da lei seca - o perigo que leva à sua gente e a má tentação à criminalidade que traz aos seus rebanhos. Até que o façam, as coisas não irão bem na guerra às drogas no México nem na guerra às drogas em lugar nenhum. Porque é o dinheiro, mais que as drogas, o que degrada e corrompe.

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