América Latina: Agência antidrogas da ONU bota a culpa na criminalidade e na violência centro-americanas - não na proibição das drogas
A estabilidade e o desenvolvimento da América Central estão sendo frustrados pela criminalidade e pela violência, grande parte delas causada pelo tráfico de drogas, disse o Escritório das Nações Unidas contra as Drogas e o Crime (UNODC, sigla em inglês) em um a href="http://www.unodc.org/pdf/Estudio%20de%20Centroam%E9rica.pdf" target=_blank_>relatório lançado na quarta-feira. O relatório pedia uma intensificação das políticas proibicionistas que ajudaram a criar os problemas para começo de conversa.

longo e curto alcance de vista ao mesmo tempo
"Os sinais de advertência são muito evidentes neste relatório - crimes com armas de fogo, violência das gangues, o seqüestro, a proliferação de empresas de segurança privada", disse o diretor-executivo do UNODC, Antonio Maria Costa, em uma nota à imprensa que acompanhava o relatório. "Mas, estes problemas não são inerentes à região. Dá para vencer estes".
Esmagada entre as regiões produtoras da coca e a cocaína da América do Sul e o mercado insaciável de cocaína na América do Norte, a América Central presencia quase 90% da cocaína que se dirige ao norte. Embora pouco disso caia do caminhão - os índices de consumo centro-americanos são baixos, de acordo com o UNODC -, a violência e a corrupção associadas ao narcotráfico do mercado negro causam estragos.
"Onde o crime e a corrupção reinam e o dinheiro das drogas perverte a economia, o Estado não pode continuar tendo um monopólio sobre o uso da força e os cidadãos não confiam mais nos seus líderes e instituições públicas", disse o Sr. Costa, sublinhando que o desenvolvimento fica atrofiado onde a criminalidade e a corrupção florescem. "Por fim, o contrato social desmorona e a população toma a lei em suas próprias mãos".
Os países na região e além precisam trabalhar juntos para fortalecerem os seus sistemas de justiça penal e romperem os vínculos entre as drogas, a criminalidade e o subdesenvolvimento, aconselhou o UNODC. "A cooperação é vital", disse Costa. "Os problemas são grandes demais, vinculados demais e perigosos demais para que se deixe que os Estados ajam individualmente".
Mas, ao invés de revisar o regime global de proibição das drogas que gera os enormes fluxos clandestinos de dinheiro, drogas e armas na raiz de muitos dos problemas da América Central, Costa e o UNODC simplesmente fazem o mesmo pedido de sempre. "Temos uma responsabilidade compartilhada e um interesse comum em ajudar os países na América Central a sobrelevar as pressões externas e fortalecer a sua resistência interna aos efeitos daninhos que produzem as drogas e o crime", disse Costa. "Trabalhemos juntos para liberar o potencial desta região".
Se Costa e o UNODC sofrem de visão de curto alcance quando se trata da proibição das drogas, pelo menos eles mostraram uma compreensão nuançada das gangues juvenis ou "maras" que são tão rapidamente demonizadas na imprensa. "Políticas de repressão de gangues por si mesmas não resolverão os problemas subjacentes. De fato, poderiam piorá-los. A cultura ganguista é um sintoma de um mal-estar social mais profundo que não pode ser resolvido com botar os meninos de rua atrás das grades. O futuro da América Central depende de ver a juventude como um recurso e não como um fardo".

















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