Europa: Comentários de Candidato Dão Azo a Racha no Partido Trabalhista Escocês pelas Políticas de Drogas
Após anos de adotar o que é essencialmente uma abordagem de redução de danos às políticas de drogas, o Partido Trabalhista Escocês (SLP, sigla em inglês) se voltou para uma abordagem linha-dura, com pedidos de abstinência para os usuários de drogas e planos para impedi-los de terem filhos. Mas, isso não caiu bem com o candidato do parlamento escocês e membro do SLP, Norman Murray, que ralhou com as novas políticas de drogas do seu partido no fim da semana passada por serem "simplistas e equivocadas".
"Apenas não sinto que os pontos de vista do meu partido sobre as questões das drogas sejam necessariamente os corretos", disse Murray. "Eu acho que eles poderiam enviar o recado errado aos usuários de drogas, particularmente às pessoas que estão tentando parar de usar heroína ou crack. É simplista demais um ponto de vista que sugira às pessoas que devem se abster de repente".
Murray se ofendeu pela adoção do SLP dos "contratos" com os usuários de drogas que os impediriam de terem filhos. "Isso é um total e completo disparate", disse. "Acho que isso é desagradável e parte do recado errado que estamos mandando às pessoas".
Em vez de uma linha-dura, o SLP deveria adotar a reforma radical das políticas de drogas, inclusive a descriminalização da maconha e possivelmente até das drogas pesadas, disse Murray, que é o presidente da Câmara de East Lothian. "Acho que deveríamos discutir a favor da descriminalização da cannabis. O meu próprio partido não está debatendo isso, mas é um ponto de vista que sustento fortemente. Tal política tiraria a cannabis do mercado negro", disse. "A criminalização não está funcionando e a polícia lhe dirá isso. A cannabis não conduz às drogas da Classe A, mas permite sim que os traficantes façam experiências com os jovens".
Talvez o mesmo deva ser feito com a heroína e a cocaína, sugeriu Murray. "Há um forte argumento que vem da polícia e do pessoal da medicina que diz que talvez devêssemos examinar a autorização da heroína e da cocaína, criando um ambiente mais controlado", disse.
Murray está esperando para substituir a parlamentar escocesa Susan Deacon, que vai se aposentar e que já articulou críticas similares da nova linha partidária sobre as políticas de drogas. Deacon, ex-ministra da saúde, acusou recentemente o SLP de oferecer "respostas reflexas e soluções vagas" aos problemas das drogas da Escócia. "O fato é que chegou a hora de cairmos na real", disse ela. "A demonização das drogas e dos usuários de drogas pode dar resultados quando se trata de discursos agitadores e manchetes sensacionalistas, mas há muito pouco para promover a compreensão do que está acontecendo de verdade na nossa sociedade".
Mas, os pontos de vista reformistas de Murray e Deacon não são políticas partidárias e o porta-voz do SLP foi rápido em distanciar o partido dos seus comentários. "Simplesmente não posso concordar com os comentários divulgados de Norman", disse o porta-voz. "Tenho certeza de que qualquer um que tenha dado uma olhada detalhada no que o partido trabalhista está fazendo na luta contra as drogas verá claramente que temos a política certa para fazer frente à causa e aos efeitos das drogas na Escócia".
E assim está o debate dentro do partido político governante da Escócia.

















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