A Segunda Conferência Nacional Sobre Metanfetamina, HIV e Hepatite Está em Curso em Salt Lake City
Cerca de mil pessoas, inclusive alguns dos especialistas mais destacados do país em tratar, investigar e desenvolver respostas ao consumo de metanfetamina, se reuniram no Hotel Hilton no centro de Salt Lake City enquanto a Ciência e Resposta: A 2ª Conferência Anual Sobre Metanfetamina, HIV e Hepatite entrava em andamento na quinta-feira. Patrocinada pelo Harm Reduction Project sediado em Salt Lake City, a conferência visava a desenvolver as "melhores práticas" provadas para responder à metanfetamina e dava ênfase à prevenção e ao tratamento em vez da prisão para os infratores por metanfetamina.
A conferência deste ano não foi polêmica - uma mudança destacada da primeira, também realizada em Salt Lake City, que foi atacada pelo arquiguerreiro antidrogas do Congresso, o Dep. Mark Souder (R-IN), porque os apresentadores discutiram abertamente o impacto da metanfetamina sobre os homossexuais. Souder também ficou indignado que o Ministério de Saúde e Serviços Humanos dos EUA fornecessem apoio financeiro limitado à conferência e foi autor de uma emenda bem-sucedida ao projeto de alocações que financia o Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas da Casa Branca que pede uma investigação da conferência e das políticas do HHS.
"O fato de não haver nenhuma polêmica este ano indica mais do que uma mudança na liderança no Congresso. Mostra que a nossa abordagem - reunir todos os interessados e as famílias afetadas pela metanfetamina - é a coisa certa a se fazer", disse o diretor executivo do Harm Reduction Project, Luciano Colonna, em declaração às vésperas da conferência.
Embora Colonna parecesse otimista na declaração acima, estava menos quando inaugurou a conferência na quinta de manhã. Visivelmente emocionado às vezes enquanto tocava a canção da conferência deste ano, "500 Days Later" [500 Dias Depois], ele observou que desde a primeira conferência em agosto de 2005, "milhares morreram ou foram presos". E Colonna não conseguiu resistir a uma referência a Souder e aos aliados ideológicos no Congresso. "Nem é preciso mencionar os nomes dos flibusteiros baratos porque o partido deles perdeu", disse para longos aplausos.
"Estou cansado de ver usuários de metanfetamina presos em virtude de teorias e práticas fracassadas seguidas por muitos fornecedores de tratamento, grupos da fé e demais organizações", disse Colonna. "Procuramos o sistema de justiça penal para solucionarmos os nossos problemas e a sua participação tem sido o resultado do nosso fracasso. Como com os sem-teto, os veteranos e os doentes mentais, fracassamos como sistema de saúde e como país. Temos a audácia de atacarmos o sistema de justiça penal como se os fios desta bagunça pudessem ser separados, mas somos todos culpados".
Se Colonna não ia dar nomes, o prefeito de Salt Lake City, Rocky Anderson, não teve tais cuidados. Enquanto dava as boas-vindas aos participantes à cidade, Anderson revidou. "Direi o nome de Souder", proclamou. "Não deveríamos esquecer as pessoas que causaram tanto prejuízo. Eles não se importam que os programas de troca de seringas ajudem os usuários de drogas injetáveis a evitar o HIV; eles mantêm a conduta de que se as pessoas usam drogas, merecem o que recebem. Pessoas como Souder preferem fazer um alvoroço político de uma tragédia em vez de ter a integridade de lidar com as questões com base em fatos e pesquisas".
Citando as sondagens sobre o consumo de drogas que situaram os números de pessoas que consumiram metanfetamina no ano passado na casa do 1,3 milhão e o número que usou dentro do último mês nos 500.000, Anderson apontou que, "Se dependesse de Souder, estariam todos na prisão".
O prefeito Anderson, um forte partidário da reforma das políticas de drogas, teve uma idéia melhor. "Esses dados são a melhor defesa da redução de danos", discutiu. "Sabemos que há pessoas que consumirão drogas e que podemos reduzir o dano, não só para elas e suas famílias, mas para todos nós. A abordagem atual é muito dissipadora e pouco rentável. E graças a vocês, os programas de tratamento estão muito mais disponíveis, mas em áreas demais, é preciso ser preso para receber tratamento acessível. Chegou a hora de tornarmos o tratamento sob demanda disponível para todos", disse ele para aclamações e aplausos sustenidos.
Dado o tópico da conferência, não é surpreendente que os participantes sejam uma mistura diferente da que se esperaria em uma conferência estritamente de reforma das políticas de drogas. Embora os reformadores das políticas de drogas estivessem presentes em números respeitáveis - a Drug Policy Alliance em particular tinha um contingente grande -, estão em minoria em relação aos reducionistas de danos, fornecedores de tratamento e assistentes sociais. Similarmente, com a ênfase do vento sobre "A Ciência e a Razão", os painéis estavam cheios de resultados de pesquisa e apresentações que levavam nomes como "Adaptando a Afirmativa Homossexual, Intervenções Provadas para Uso em uma Clínica Comunitária de Tratamento Químico", "Injetores de Estimulantes de Três Cidades da Ucrânia" e "O Impacto do Consumo de Metanfetamina Sobre as Instalações de Internamento para Tratamento Químico para os Jovens no Canadá".
A mistura de interesses e orientações resultou em algumas faíscas na primeira conferência, especialmente em torno da questão da terapia de manutenção com estimulantes ou de fornecer um sucedâneo estimulante aos usuários de metanfetamina, como a dextro-anfetamina, assim como os usuários de heroína recebem prescrições de metadona. Tais questões podem causar polêmica de novo neste ano, mas um painel do dia da inauguração sobre o tópico ocasionou somente algumas surpresas - não arroubos de indignação. A polêmica provavelmente acontecerá em Vancouver, onde o prefeito Sam Sullivan anunciou recentemente que queria implementar um programa-piloto de manutenção com anfetamina com uns 700 pacientes.
Com três dias cheios de plenárias, painéis, sessões intercalares e ateliês, a conferência do fim de semana passado não só proporcionou informações sobre as melhores práticas para educadores, trabalhadores da prevenção e fornecedores de tratamento, mas também ajudou a ampliar o coro crescente de vozes que pedem políticas mais esclarecidas sobre a metanfetamina. Além do mais, a conferência apontou para a Crônica uma série de questões relacionadas à metanfetamina que merecem receber mais cobertura, da difusão da legislação repressiva nos estados, o esforço para expandir as terapias de manutenção com drogas às drogas estimulantes como a metanfetamina ao recurso de alguns estados de criminalizar as mães grávidas que consomem drogas. Procure informes sobre estes tópicos na Crônica nas semanas vindouras.

















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