TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #562, Nov 28, 2008

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    Imposição da Lei: Agentes de Jacksonville Matam Dois Homens em Incidentes Distintos com Oito Dias de Diferença

    Os oficiais disfarçados de narcóticos em Jacksonville, Flórida, mataram duas pessoas em incidentes diferentes no fim de janeiro. Os dois homens eram negros e nenhum deles era traficante de drogas.Agora, os líderes negros locais estão pedindo uma investigação federal e o promotor municipal está questionando o valor de tais operações.

    No dia 20 de janeiro, oficiais disfarçados que fingiam ser traficantes de drogas durante uma armação antidrogas mataram Douglas Woods de 18 anos a tiros. A polícia afirmou que Woods estava armado com uma pistola e que tentava roubar os que ele achava que eram traficantes de drogas. Mas, familiares e testemunhas disseram que Woods não portava arma e que estava segurando um celular.

    "Ele estava parado no estacionamento, como sempre fazem, e a polícia parou. Todos saíram correndo, exceto o meu filho, e pôs as mãos dele para o alto. Eles disseram que atiraram nele umas oito vezes", disse a mãe de Woods, Machealle Woods. "Por quê? Quero saber o porquê".

    A testemunha Tyronnie Dennis, que estava sentada nos degraus fumando um cigarro quando Woods foi morto a tiros no pátio do seu complexo habitacional, disse que Woods estava segurando um telefone celular, não uma arma. "Ouvi o estalar dos disparos e o corpo caiu. Houve só o disparo de uma arma. Ele não atirou de volta. Ele estava com um celular. Não tinha uma arma", disse Dennis.

    "Queremos uma investigação completa sobre isto do lado federal para garantirmos que isto seja feito com equanimidade e justiça. Não aceitamos os criminosos. Não aceitamos os traficantes e drogas e nunca aceitaremos", disse o Rev. RL Gundy da Jacksonville Leadership Coalition. "Queremos garantir. Contaram-se estórias demais de maneiras diferentes demais e queremos garantir que a mãe e o pai tenham uma investigação completa sobre isto".

    O Xerife da Comarca de Jacksonville, John Rutherford, estava defendendo o tiroteio no início da semana passada. "A esta altura na investigação, tenho certeza de que o oficial atirou em autodefesa depois de ser abordado por alguém que estava tentando roubá-lo com uma arma", disse Rutherford. "Posso lhes dizer que temos declarações de testemunhar que estavam na cena e que nos estão dizendo uma coisa - que nos disseram uma coisa na noite em que isso aconteceu - e na tarde seguinte estavam dizendo outra coisa à mídia eletrônica". Rutherford disse que o seu gabinete não divulgaria uma declaração a menos que tivesse certeza de que era verdade. "Não vamos divulgar isso até que saibamos - era uma arma e posso lhes dizer que era uma arma que estava ao lado do indivíduo, não um celular", disse Rutherford.

    Então, no dia em que Woods foi enterrado, os oficiais disfarçados de narcóticos mataram Isaac Singletary de 81 anos a tiros no pátio dele depois que a figura constante do bairro os confundiu com traficantes de drogas e os confrontou. "Um indivíduo se aproximou dentre duas casas brandindo uma arma. Os oficiais deram várias ordens de abaixar a arma, ele não fez isso, então trocaram tiros", disse o Chefe Dwain Senterfitt.

    "O homem saiu três vezes e disse: saia do meu pátio. Então, depois da terceira vez, ele saiu com uma 357 e começou a atirar contra os indivíduos", disse uma testemunha que não quis ser identificada à mídia local.

    O sobrinho de Singletary, Gary Evans, disse que o seu tio era um homem respeitado no bairro. "Ele sentia prazer em se sentar debaixo de uma árvore e ver as suas couves e os seus repolhos crescerem", disse Evans. "A única vez que alguém ouvia algo do meu tio é se paravam na frente na casa dele e tentava fazer quaisquer negócios que quisessem fazer", acrescentou Evans.

    "Nunca teria pensado que ele seria morto a tiros por um policial", disse a sobrinha Sheree Bea. "Achava que, se ele recebesse um tiro um dia, seria em confronto com um narcotraficante".

    Agora, não são só as organizações comunitárias que estão levantando questões sobre as práticas policiais. O Promotor da Comarca de Jacksonville, Harry Shortstein, disse na esteira das duas matanças que questionava o valor das armações secretas antinarcóticos. "Se somente estamos vendendo drogas a dependentes, não sei o que estamos conseguindo", disse Shorstein. "Isto pode acabar sendo a morte trágica de uma criança - poder-se-ia dizer uma criança má - e de um senhor que tinha o direito de proteger a propriedade dele".

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