TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #547, Aug 15, 2008

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    Editorial: A Segurança Deles Exige que Você Vote na Revogação

    Nesta semana, veio uma manchete de Birmingham, Grã-Bretanha, do tipo que me frustra particularmente. É o tipo de manchete que fez com que eu me alistasse no incipiente movimento de legalização das drogas há 13 anos. “As gangues criminosas estão se infiltrando nas escolas de Birmingham e crianças de nove estão sendo usadas como mulas”, assim como em escolas em Manchester e Londres, disse o ministro da Educação, Jim Knight, à comissão da Câmara dos Comuns segundo o Birmingham Post. “É uma questão nova que queremos cortar pela raiz antes que vire algo genuinamente preocupante para os pais e alunos”, disse Knight depois da audiência.

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    David Borden
    Quanto quer cortar pela raiz? O bastante para enfrentar a política e desafiar a ideologia? Há um jeito certo de acabar com o problema – a legalização. Mas, embora os políticos falem sobre a legalização um pouco mais na Grã-Bretanha do que os nossos políticos aqui nos EUA – o líder do Partido Conservador, David Cameron, levantou a questão antes – ainda não conversam sobre isso o bastante. Pelo menos ainda não o bastante para fazer isso de verdade, apesar da obviedade de ser uma boa medida.

    Não se engane, é óbvio. Se o temor principal na questão das drogas é o de que as drogas põem as crianças em perigo, e o perigo muito real em que as crianças são postas assim que forem atraídas para as gangues do narcotráfico ou mesmo como vigias? Mas esse problema existe por causa da proibição das drogas. Por todos os contras do álcool e dos cigarros, por exemplo, certamente as drogas tanto quanto quaisquer outros, com que freqüência se ouve falar de crianças vendendo-os na rua ou nas escolas para outras crianças?

    É um problema endêmico e a repressão “dura” não é a solução. No início dos anos 1990, a polícia em Boston, Massachusetts, realizou uma grande “apreensão” em Mission Hill, um bairro afro-americano assolado acima de tudo pela violência e a desordem, grande parte disso vindo do narcotráfico. Um amigo meu passou um verão ali como professor e mentor de um grupo de estudantes – um verão depois da ocorrência da apreensão, por acaso. Havia uma diferença no bairro, ele me disse, estava muito mais limpo do que antes, pelo menos por um momento. Mas até então, as crianças no grupo deles ainda eram paradas no caminho de ida e volta da escola por membros de gangues narcotraficantes que queriam que eles trabalhassem para eles, um fenômeno preocupante e desanimador.

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    cartaz da WONPR (cortesia do Museu e Biblioteca Hagley)
    A questão da legalização surgiu na conversação quando os filhos, pais e ele passavam tempo juntos uma noite como faziam freqüentemente. Ele esperava que quase todos fossem contra isso, mas, de modo interessante, a discussão ficou dividida meio a meia. Também de modo interessante, o cisma não aconteceu por causa da diferença nas gerações – havia garotos que queriam que o governo endurecesse a mão com o narcotráfico e pais que queriam legalizá-las todas, e vice-versa. O relato dele me fez pensar se podíamos ter mais apoio do que percebemos ter em certas comunidades.

    Aqui muita coisa está em jogo. Se a proibição atrai as crianças – de nove anos – para o narcotráfico, em algum ponto também as apresenta às armas que os vendedores clandestinos usam para se protegerem. Os jovens e as armas nem sempre casam bem, e calculo pelo baixo. Um jovem tem mais chances (em média) de usar realmente uma arma por medo ou pela emoção do momento, ou por um juízo errado, do que um adulto (mais uma vez, em média), mesmo um criminoso adulto. Blumstein atribui provisoriamente a alta de meados de 1980 na violência e o aumento considerável no porte juvenil de armas à combinação do tráfico de crack – que aumentou o número de vendedores necessários no narcotráfico porque a droga tem efeito curto e os dependentes fazem mais compras separadas dela – e as leis de penas mínimas obrigatórias, que aumentaram o risco para os adultos no narcotráfico e, desse modo, o preço que exigiam para participar nisso, além de criarem o incentivo a usar menores que não estão sujeitos às mínimas obrigatórias e que trabalhariam por menos dinheiro. Juntando-se a partir dessa base, as armas ficaram mais comuns na população juvenil em geral. Conseqüências involuntárias, porém não imprevisíveis.

    Um pôster famoso dos dias da lei seca representa uma figura materna com crianças, dizendo: “A segurança deles exige que você vote na revogação”. Assim era antes – assim é agora.

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