Matéria: Mais policiais morreram ordenando o trânsito do que travando a guerra às drogas no ano passado
No sábado a noite passado, o policial Calvin Jencks da Patrulha Rodoviária do Tennessee, parte da autodescrita "alcatéia de lobos" de patrulheiros que vagueiam pelas estradas em busca de traficantes de drogas, descobriu o que estava procurando. Mas, quando ele parou um veículo com placa do Texas no fim daquela noite, os seus ocupantes o mataram. Quando foram presos pouco tempo depois, a polícia os descreveu de fato como entregadores de drogas. Assim, o patrulheiro Jencks virou outra baixa da lei na guerra às drogas.

menos perigoso para os policiais do que para os habitantes, pelo que parece
Parece que embora impor as leis sobre as drogas não seja tão seguro, estatisticamente também não é especialmente perigoso. De acordo com uma pesquisa da Crônica da Guerra Contra as Drogas baseada em relatórios no Officer.Com, que compila uma lista das mortes de todos os policiais no cumprimento do dever em todo o país com base em notas à imprensa do National Law Enforcement Officers Memorial Fund (NLEOMF), apesar de fazer cerca de dois milhões de detenções por drogas no ano passado, só quatro oficiais da polícia estadunidense foram mortos impondo as leis sobre as drogas e só em dois daqueles casos a imposição da legislação sobre as drogas foi a causa direta da morte. Um oficial disfarçado foi morto fazendo uma compra de drogas, um oficial foi morto entregando um mandado de busca de drogas, um patrulheiro rodoviário morreu em uma batida a caminho de uma apreensão de drogas e um oficial foi morto quando interveio em um conflito entre gangues rivais que traficavam drogas.
Eis aqui a lista completa:
- Em março, o sargento Jeremy Newchurch do Gabinete do Xerife da Paróquia de Assumption da Luisiana foi morto a tiros em um conflito com um suspeito enquanto cumpria mandados de busca de drogas;
- Em maio, o oficial Eduardo Chávez da Secretaria de Segurança Pública do Texas foi morto em um acidente de carro enquanto se dirigia a uma apreensão de drogas a oeste da Cidade de Sullivan;
- Em dezembro, o agente Juan José Burgo-Vélez da Polícia de Porto Rico, 36, foi morto a tiros quando ele e outros oficiais intervieram em uma troca de tiros entre gangues narcotraficantes rivais.
O número de oficiais mortos na guerra às drogas no ano passado é similar, embora ligeiramente menor, ao dos últimos anos. Embora o NLEOMF não tenha lançado ainda dados oficiais sobre as mortes de oficiais relacionadas à repressão às drogas para o ano passado, fez isso para os anos anteriores. Sete oficiais foram mortos em incidentes relacionados às drogas em 2000, 13 em 2001, 2 em 2002, 13 em 2003, 14 em 2004 e 10 em 2005.
De acordo com o NLEOMF, 151 oficiais da lei morreram no cumprimento do dever no ano passado, mas mais da metade morreu em acidentes de estrada (61) ou eventos médicos relacionados ao trabalho, como ataques cardíacos (18). Um oficial foi morto a facadas, outro foi morto a golpes e 54 foram mortos por arma de fogo. De acordo com a compilação do Officer.com, mais oficiais da lei foram mortos ordenando o trânsito do que impondo as leis sobre as drogas.
Dado que há centenas de milhares de oficiais da lei nos EUA, esse não é um índice alto de mortalidade para o policiamento como profissão. De fato, ser um oficial da polícia nem entra na lista dos 10 empregos mais perigosos do Ministério do Trabalho dos EUA. (Para os curiosos, a ocupação mais perigosa é de lenhador, seguida em ordem por piloto de aeronave, pescador, metalúrgico, lixeiro e reciclador, agricultor, telhador, trabalhador da linha elétrica, caminhoneiro e taxista.)
Dado o índice baixo de mortalidade para a polícia na guerra às drogas - 4 mortes em 1,8 milhão de detenções -, os críticos das táticas severas da repressão legal, como a dependência de equipes paramilitarizadas à SWAT que cumprem mandados de busca de drogas e de detenção, têm ainda mais motivos para pensar se são realmente necessárias. De acordo com algumas estimativas citadas em Overkill: The Rise of Paramilitary Police Raids in America do analista de políticas de liberdades civis, Radley Balko, até 40.000 reides da SWAT, a maioria deles por drogas, acontecem todos os anos agora.
"Isto sugere que os infratores da legislação antidrogas não são os criminosos violentos que a polícia retrata amiúde, particularmente as pessoas pobres contra as quais estas táticas da SWAT estão dirigidas freqüentemente", disse Balko à Crônica. "Também respalda os estudos que dizem que armas são raramente encontradas, e quanto são, não são o tipo de armamento potente de alto calibre que os defensores da SWAT sempre dizem que vão encontrar".
Ronald Sloan, diretor da National Narcotics Officers' Associations Coalition, parecia perplexo com os baixos números de fatalidades na guerra às drogas da polícia, mas ainda defendia as táticas agressivas da polícia. "O meu parceiro foi morto em um reide antidrogas", disse ele à Crônica. "Fui um oficial de narcóticos durante 20 anos. É o trabalho mais perigoso que existe". Quanto aos reides da SWAT, disse Sloan, "Esses caras são treinados para essas situações. Têm menos chances de serem alvejados do que um bando de agentes antinarcóticos chutando a porta".
Jack Cole, diretor executivo da Law Enforcement Against Prohibition, também tem uma longa experiência como agente de repressão aos entorpecentes. "Não me preocupava muito com que alguém tentasse me matar. Não os narcotraficantes; são homens de negócios, eles preferem fugir da polícia do que atirar nela, porque sabem que então haveria mais mil policiais para persegui-los".
Mas, foi outro predador engendrado pela proibição que preocupou Cole enquanto fazia o trabalho disfarçado. "O único grupo com o qual estávamos preocupados não era o dos traficantes, mas o dos artistas da extorsão que acham que estão roubando o dinheiro de apenas um traficante, atiram nele e ficam com o dinheiro. Eles nem sequer sabem que você é um policial".
Para Cole, a forte dependência dos reides à SWAT é desnecessária e perigosa, pelo menos para os civis envolvidos. "Quando se considera o número de pessoas mortas nos reides da SWAT, é excessivo", disse. "Como aquela senhora de 92 anos em Atlanta, Kathryn Johnston. A SWAT cria este tipo de situação".
Embora não existam dados seguros sobre o número de pessoas mortas nos reides antidrogas da polícia, “Overkill” de Balko lista dúzias de incidentes em que civis, alguns inocentes, alguns culpados de um delito de drogas, foram mortos ou feridos, e mais em que a polícia atirou no cachorro. O mesmo relatório também lista os incidentes em que os oficiais da polícia morreram em reides antidrogas. Como vimos, embora o número de policiais mortos na guerra às drogas seja baixo, os reides também os matam às vezes.
Parece que, na guerra às drogas pelo menos, os policiais são muito bons em proteger a si mesmos. Agora, a pergunta é: quem nos protegerá deles?












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