Editorial: Newark Merece Coisa Melhor dos Seus Líderes
Em uma ação que tem semelhança com as várias lutas do México com o narcotráfico - muito freqüentemente uma agência inteira da polícia é dissolvida (porque também foi corrompida - como em Tijuana na semana passada) e então reconstituída (para enfrentar uma crise de criminalidade e violência) - o prefeito de Newark, Nova Jérsei, anunciou que a cidade criou uma nova unidade antinarcóticos em um esforço para reduzir o índice de homicídios da cidade.

David Borden
O prefeito Cory Booker expressou compaixão pelas vítimas, apesar da sua participação na violência que levou a isso: "Estes homens não são santos que morreram, mas são nossos filhos... Tirem a minha gravata, tirem o meu terno e cerca de 10 anos e eu me encaixo nessa descrição: jovens negros morrendo na nossa cidade em índices que são inaceitáveis".
A minha pergunta ao prefeito é sobre a natureza da resposta. Se as pessoas que brigam são membros da nossa família coletiva, que devem ser resgatados onde for possível de um ambiente negativo que os atraiu a um estilo de vida criminoso, por que a peça central do novo esforço é uma campanha de repressão legal que só pode acabar com o longo encarceramento de muitos dos "nossos filhos"? A confusão e os sentimentos de desespero juvenis não acabam por um passe de mágica após 17 anos e 365 dias e as leis sobre as drogas de Nova Jérsei para os adultos são duras, assim como a legislação federal sobre as drogas. Quantos de "nossos filhos" terminarão na prisão durante longos períodos de tempo, enviados ali por causa deste novo programa?
Outro comentário revelador veio do Diretor da Polícia, Garry McCarthy, que de acordo com o artigo explicou que Newark ficara sem unidade especial antinarcóticos durante anos em razão dos temores de que tal trabalho corromperia os investigadores. Ele prosseguiu para explicar algumas medidas de salvaguarda que estão preparando para impedir isso. Sou cético - há dinheiro demais envolvido no narcotráfico, como os leitores da Crônica da Guerra Contra as Drogas sabem muito bem, os relatórios da corrupção policial de todo o país abundam todas as semanas. É terrivelmente difícil evitá-lo - lembrem-se do México.
Mais palavras de cautela vieram do sociólogo Peter Moskos, da Faculdade John Jay de Justiça Criminal, que testemunhou esforços similares durante a sua época como oficial da polícia em Baltimore. "Ninguém ideou uma maneira pela qual a polícia pode reter um bairro", disse ele ao Times. Acrescento a isso que, se houvessem concebido isso, não deveríamos esperar que o narcotráfico lucrativo se mudasse para um bairro diferente? Não há efetivos (opa, policiais) para monitorar todas as esquinas por toda a cidade e nunca existirão.
Moskos apontou que "quando os esquadrões antinarcóticos irrompem na sua casa, não é uma experiência prazerosa". Mas, McCarthy promete tratar o combate antidrogas como "praça de guerra" - um sinal de que os pobres da cidade de Newark que já são cercados devem esperar que mais portas sejam derrubadas sobre eles. McCarthy e Booker devem ter em mente as recentes tragédias em Atlanta e Nova Iorque (matanças de gente desarmada pela polícia que instigaram o ultraje geral) antes de dizerem aos efetivos deles (opa, por que continuo fazendo isso?) que enfrentem uma "praça de guerra" que só pode levar a mais carnificina desse tipo.
Formar uma força-tarefa ou divisão é um bom jeito, politicamente pelo menos, de poder afirmar que se está fazendo algo a respeito do problema. Mas, isso não justifica ignorar as provas esmagadoras, acumuladas durante décadas, de que a estratégia não funciona e que o motivo pelo qual não funciona é que não pode funcionar. Newark merece coisa melhor dos seus líderes do que isto.












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