Matéria: A Maconha Medicinal Consegue uma Audiência no Michigan
A questão da maconha medicinal chegou à assembléia do Michigan pela primeira vez nesta semana. Em Lansing na terça-feira, o Comitê de Operações Governamentais da Câmara do estado realizou uma audiência em que os pacientes, defensores e simpatizantes da maconha medicinal estiveram com a palavra – e vieram de todo o estado e de todo o país para fazer exatamente isso.

o Capitólio do Michigan
Não obstante, prepara o terreno para mais trabalho na assembléia no ano que vem e talvez para uma iniciativa em 2008 se os legisladores mostrarem ser recalcitrantes. Que isso tenha acontecido é um atestado dos esforços dos ativistas locais que trabalham conjuntamente com os reformadores de todo o país.
“LaMar é o meu deputado estadual”, disse Tim Beck, diretor executivo da NORML Michigan. “Arrecadei muito dinheiro por ele e ele acredita nesta questão, então quando lhe pedi o que eu gostaria, lhe disse que eu gostaria de um projeto de maconha medicinal”, disse Beck à Crônica da Guerra Contra as Drogas. Beck era uma força motriz por trás da iniciativa de maconha medicinal bem-sucedida de Detroit em 2004. Ferndale, Ann Arbor e Traverse City também têm promulgado decretos-lei que permitem o consumo de maconha para fins medicinais.
O democrata Lemmons apresentou o projeto, mas para conseguir uma audiência também foi necessário o assentimento do presidente do comitê, o deputado republicano Leon Drolet. Drolet não só concordou com as audiências, virou defensor do projeto.
Com essa oportunidade, os ativistas do Michigan fizeram os contatos, e, trabalhando com o Marijuana Policy Project, trouxeram pessoas como o paciente federal de maconha medicinal, Irv Rosenfeld, a Senadora republicana do estado de Connecticut, Penny Bacchiochi, e o ex-legislador de Maryland, Donald Murphy, diretor do Republicans for Compassionate Access, assim como de pacientes e simpatizantes de todo o estado. Contra eles estava o peripatético subsecretário antidrogas Scott Burns, que magicamente surge para debater contra a maconha medicinal onde quer que ela apareça.
Rosenfeld, um corretor da bolsa da Flórida que sofre de exostose múltipla congênita, esteve recebendo maconha do governo dos EUA desde 1982 em um programa que foi extinto no governo do Presidente Bush Pai. Rosenfeld e um punhado de outros foram admitidos.
“Sou um membro muito produtivo da sociedade porque tenho a medicação correta”, disse Rosenfeld ao comitê, acrescentando que os 10 baseados mais ou menos que fuma por dia o ajudam a continuar vivo. “Não há necessidade de processar as pessoas que estão doentes”.
A Dep. Bacchiochi, a republicana de Connecticut, tem sido uma grande defensora legislativa da maconha medicinal no seu estado natal e estava ansiosa por conversar com os seus companheiros legisladores sobre ela. Ela contou ao comitê como o seu marido foi diagnosticado com câncer de osso em fase terminal no início dos anos 1980 e um médico lhe pediu que experimentasse a maconha por ele. “Não fumara maconha, nunca usara drogas, sabia que queria uma carreira pública. Foi um momento aterrador para mim”, disse ela ao comitê. “Mas, enquanto via o meu marido basicamente morrendo na minha frente, decidi que faria isso a qualquer custo. Durante três anos saí e lhe comprei maconha, e presenciei a impressionante recuperação dele. Não que ele tenha se recuperado do câncer, mas conseguiu comer, conseguiu rir, conseguiu recuperar alguma qualidade de vida”, disse ela aos legisladores.
Laura Barber de Traverse City falou das dificuldades que a sua família passou quando o marido dela, que consome maconha medicinal para tratar os sintomas da esclerose múltipla, foi preso. Dois outros pacientes do Michigan estavam prontos para falar, mas esgotou-se o tempo antes que pudesse depor. Eram Rochelle Lampkin de Detroit, que consome a droga para lidar com a dor associada com a esclerose múltipla, e Martin Chilcutt de Kalamazoo, um veterano da Marinha que consumiu maconha medicinal para aliviar a dor e a náusea associadas com a quimioterapia.
“O uso medicinal de maconha tem ajudado a aliviar a dor e o sofrimento associados com as doenças graves na minha vida e nas vidas de vários dos meus amigos íntimos”, comentou Chilcutt. “Precisamos de decisões e de ação racionais para combatermos um status quo irracional. O aspecto mais perigoso de usar maconha medicinal é a ameaça de ser preso e ir à cadeia, e por isso a assembléia precisa aprovar o HB 5470”.
Provavelmente, o projeto não chegará a lugar nenhum neste ano, mas a audiência desta semana foi importante, disse Beck. “O valor de ter a audiência é que demonstra que temos poder. Conseguimos receber a audiência e conseguimos trazer pesos-pesados como Irv, Don e Penny. Não acho que esses legisladores esperassem nada parecido com o desempenho que tivemos”, riu.
“Esta é uma primeira vez histórica e conseguimos muita publicidade com esta audiência”, prosseguiu Beck. “Estamos preparando o terreno para o ano que vem. O único que temos é o processo de iniciativas e acho que os legisladores o entendem. Os democratas controlarão a Câmara estadual no ano que vem e acho que teremos uma recepção melhor então. Mas, será algo como ‘Quer escrever a lei ou quer que escrevamos a lei?’ Não queremos fazer uma iniciativa se não precisarmos. É mais barato passar pela assembléia”.












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