Matéria: Colorado e Nevada Votam em Medidas de Legalização da Maconha na Terça-Feira
Com uma medida para legalizar o porte de até trinta gramas de maconha nas urnas no Colorado e uma medida para permitir a venda regulada de maconha e o porte de até trinta gramas no Nevada, a terça-feira pode ser a primeira vez que os eleitores em qualquer estado estadunidense tenham adotado o fim da proibição da maconha. Nesta conjuntura tardia, a maioria das pesquisas retrata isso como se fosse uma batalha difícil, apesar de os organizadores terem motivos para acreditar que as pesquisas podem estar erradas. As chances parecem melhor no Nevada do que no Colorado.
O único estado no qual o porte de maconha é legal é o Alasca. Lá, foram os tribunais, não os eleitores, que tomaram a decisão.

anúncio de tevê do CRCM, publicado no YouTube
Contudo, em ambos os estados os organizadores dizem que as pesquisas estão subestimando o apoio à legalização. Em Nevada, os porta-vozes da medida disseram à Crônica que a única pesquisa que usou o texto eleitoral real mostrou a medida na frente por uma margem de 49% a 43%. Isso contrasta com as pesquisas jornalística de Nevada que anunciavam a derrota da medida com entre 37% e 41% dos votos.
“Embora eu diga que é improvável que a pesquisa esteja tão errada, certamente esperamos mais apoio do que o que as pesquisas estão informando”, disse Steve Fox da SAFER Colorado. “Muitos jovens não respondem as pesquisas ou nem são contatados por elas porque tudo o que têm são celulares. Embora não possamos afirmar que vamos ter uma vitória fácil”, disse ele à Crônica da Guerra Contra as Drogas, “outras pesquisas que vimos parecem indicar mais apoio do que aquelas pesquisas da mídia”.
“As pesquisas variam”, disse o gerente da campanha do CRCM, Neal Levine. “A pesquisa do Reno Gazette-Journal perguntou se as pessoas favoreciam a legalização, o consumo, o porte e a transferência de maconha, enquanto que a nossa pesquisa usou o texto eleitoral real. A explicação da diferença está na terminologia da pergunta feita. A pesquisa do Review-Journal, embora nos mostre atrás, mostra uma tremenda alta em relação à sua última pesquisa. O seu texto não era tão enviesado, mas ainda não fazia a pergunta que os eleitores responderão nas urnas. O que é consistente é que a campanha está em alta”, disse ele à Crônica no mês passado.
E ainda estava em alta, mas ainda atrás nesta semana. “Na nova pesquisa do Reno Gazette-Journal, diminuímos a diferença em sete pontos”, disse o diretor de comunicação de campanha, Patrick Killen, na quinta-feira. “De acordo com eles, ainda estamos atrás, mas, de novo, a pergunta deles não tratava da taxação e da regulação ou das muitas salvaguardas que a nossa medida tem. Mas, a boa notícia é que isto mostra que a campanha está avançando”.
Ambos os estados têm presenciado campanhas duras da oposição lideradas por figuras políticas consolidadas, pela lei e pelas burocracias antidrogas federais. No Colorado, o agente especial encarregado da DEA Denver, Jeffrey Sweetin, tomou uma posição importante em oposição à medida, junto com o Gov. Bill Owens e o Procurador-Geral John Suthers. Owens e Suthers estavam entre aqueles que foram surpreendidos na sexta-feira passada quando quase cem manifestantes pró-legalização compareceram à entrevista coletiva antilegalização.
Em Nevada, o CRCM esteve ocupado desafiando a interferência de funcionários federais e servidores eleitos de Nevada na campanha. Em meados de Outubro, o grupo entrou com uma ação judicial contra a Comarca de Clark e os funcionários de Las Vegas buscando um interdito para impedi-los de fazer campanha contra a medida com o dinheiro dos contribuintes. Na semana seguinte, os defensores do CRCM confrontaram o subsecretário antidrogas federal Scott Burns, que veio de Washington, DC para se opor à Questão 7 em um fórum de cidade pequena. “Secretário, vá para casa! Deixe o Nevada em paz” gritaram.
Embora o CRCM esteja metido em campanhas publicitárias na tevê, na rádio e na rede, o principal grupo de oposição, o Committee to Keep Nevada Respectable de nome irônico, se limitou a um anúncio de rádio tardio, que o CRCM atacou na quinta-feira dizendo que era mentiroso. “Eles dizem que a medida impediria os empregadores de realizarem exames toxicológicos, quando a medida diz explicitamente que podem fazê-los”, denunciou Killen. “Diz que favorecemos o consumo de drogas nas ruas, o que é simplesmente equivocado em dois pontos. Primeiro, não se trata das ‘drogas’; trata-se da maconha. Segundo, mais uma vez, o texto da Questão 7 proíbe explicitamente o consumo de maconha em público”.
As guerras publicitárias podem não importar muito afinal de contas, disse o professor de ciências políticas da Universidade de Nevada em Las Vegas, Ted G. Jelen. “Os comerciais não são muito eficazes”, disse ele à Crônica. “As pessoas não estão prestando muita atenção. Além do mais, acho que esta medida é um pouquinho complicada. A maioria das pessoas não leva estes assuntos muito a sério, então a mensagem tem que ser simples. Falam de taxação e regulação, mas seria melhor se dissessem simplesmente que vamos tratá-la como as bebidas alcoólicas”.
Jelen pronunciou “improváveis” as chances de aprovação da Questão 7, embora previsse que receberia uma margem respeitável de votos. Mas, ele disse que, dada a paisagem política nacional e as contendas movidas a escândalos e inesperadamente competitivas para o governo e a Câmara de Deputados Federais em Nevada, o comparecimento pode ser alto.
O CRCM está contando com isso. “Temos todos os tipos de voluntários e chegou a hora de fazermos que o pessoal vá às pesquisas”, disse Killen. “Estamos contando os eleitores não-tradicionais – os eleitores jovens, os novos eleitores, os eleitores desencantados – que não estão aparecendo no radar. Vamos fazer votações prévias durante a sexta e, então, há o esforço final até a terça-feira”.
Com ambas as medidas atrás na maior parte das pesquisas, os organizadores estão começando a traçar panoramas. “Com certeza, as pesquisas que estão sendo lançados pela mídia indicam que estamos muito atrás”, disse Mason Tvert da SAFER Colorado. “Falta ver se esse será o caso depois que a votação aconteça de verdade. Mas, é importante lembrar que este é somente um passo em uma longa batalha para conscientizar o público sobre o fato de que a maconha é menos nociva do que o álcool. Durante esta campanha, a nossa mensagem básica tem ressoado por todo o estado e em publicações nacionais como o USA Today e o Washington Times. Apesar de termos gastado menos de $60.000 após a coleta de assinaturas, geramos centenas de milhares de dólares em cobertura merecida da mídia. Levamos a reforma das políticas da maconha recreativa do nada e a tornamos um tópico importante de discussão e debate no estado. Esta campanha não é o fim dos nossos esforços no Colorado. Se perdermos, continuaremos conscientizando os cidadãos do estado até que chegue a hora de outra iniciativa”.
Agora, falta menos de uma semana para que os eleitores entrem nas cabines de votação. Parece improvável agora, mas não impossível, que 2006 seja o ano em que os eleitores disseram não à proibição da maconha.












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