Matéria: Momentos de Angústia para a Iniciativa de Maconha Medicinal de Dakota do Sul
Com o dia das eleições a pouco mais de uma semana de distância, os defensores da iniciativa de maconha medicinal de Dakota do Sul ficam cada vez mais nervosos com as perspectivas da medida em vista da ofensiva coordenada pelo establishment político republicano do estado, pela lei estadual e municipal e até pelo Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas (ONDCP – a secretaria antidrogas). Dados o conservadorismo social de Dakota do Sul e uma série de outras questões quentes nas urnas, inclusive o abordo e o casamento entre homossexuais, a agressão do aparato judiciário-legal só dificulta a aprovação eleitoral da medida. Mas, sem a realização de pesquisas sobre a questão no estado desde 2002 (quando teve uma aprovação de 64%), é difícil saber com exatidão aonde os votos terão mais chances de ir.
Conhecida nas urnas como Medida Iniciada 4 [Initiated Measure 4], a medida de maconha medicinal permitiria que os pacientes que padecerem de doenças específicas, que tiverem a autorização de seus médicos e que estejam registrados junto ao estado usem a maconha para aliviar as condições deles. A medida também permite que os pacientes registrados ou seus fornecedores cultivem até seis plantas de maconha. Se a medida for aprovada, Dakota do Sul viraria o 12° estado a legalizar a maconha. Se a medida não for aprovada, Dakota do Sul viraria o primeiro estado em que os eleitores recusaram explicitamente a maconha medicinal.
A partir do fim da semana passada, a oposição organizada começou a lutar abertamente com uma série de entrevistas coletivas com o Procurador-Geral Larry Long (que foi processado com sucesso pelos organizadores por uma súmula eleitoral enviesada), funcionários da lei municipal e o subsecretário antidrogas Scott Burns. Burns chamou a maconha medicinal de “embuste” e acusou os defensores da iniciativa de brincarem com as simpatias dos eleitores para avançar uma agenda perigosa.
“Isto é um retrocesso em Dakota do Sul e um retrocesso no país”, disse Burns em entrevista coletiva em Sioux Falls na sexta-feira passada. “Não caiam no golpe”.
“O risco supera os benefícios”, disse o Xerife da Comarca de Minnehaha (Sioux Falls), Mike Milstead, na mesma entrevista coletiva amplamente televisionada e relatada. “Há muita preocupação com a facilidade que esta maconha pode cair em mãos erradas”.
Alguns funcionários da lei de Dakota do Sul foram mais longe em seus argumentos contra a medida. Em conversa com a Crônica da Guerra Contra as Drogas na quinta-feira, o Xerife da Coamrca de Hughes (Pierre), Mike Leidholt, reclamou que o texto da iniciativa impedia os pacientes registrados de serem processados como condutores drogados porque os resíduos nos organismos deles lhes permitiriam dirigir intoxicados. “Se não pudermos examiná-los para ver se têm resíduos, como vamos impor a lei? Ou isso é uma carta branca?” perguntou.
Leidholt também expressou preocupação que a maconha cultivada para pacientes registrados fugiria para o mercado geral. “Esta medida permite que qualquer paciente ou fornecedor tenha até seis plantas de maconha”, disse. “Uma planta de maconha pode produzir até 13.000 baseados. Se se tem tanto, e o restante?”
[Nota do Editor: Nós informamos, vocês decidem. Supondo que um baseado pese entre meio-grama e um grama, isso resulta em algo entre 6kg75g e 13kg62g de erva fumável. Segundo os nossos cálculos, seria necessária uma planta de maconha do tamanho de um carvalho crescido para produzir tantos baseados.]
Leidholt admitiu que a maconha pode ajudar um pequeno número de pessoas seriamente doentes no estado, mas disse que isso não supera a necessidade de manter a maconha fora das ruas. “Sinto-me mal por essas pessoas, mas os perigos são grandes demais”, disse.
Esse argumento não era aceito por Valerie Hannah de Deerfield, uma médica de combate na Guerra do Golfo que sofre de dores crônicas e que trabalha como porta-voz principal da South Dakotans for Medical Marijuana, o grupo por trás da iniciativa. “Realmente, precisamos disto para que os pacientes que estiverem doentes de verdade possam ter outro meio de alívio”, disse ela é Crônica.
Hannah e o ex-oficial da polícia de Denver, Tony Ryan, que agora mora em Sioux Falls, são o rosto público do grupo. Ambos estão aparecendo em comerciais de TV transmitidos em todo o estado – quando podem se enfiar entre todos os comerciais sobre aborto, casamento homossexual, impostos sobre o tabaco, cargos eleitorais e demais campanhas que estão abarrotando as ondas.
“O que a lei está fazendo é uma verdadeira decepção, mas a minha maior decepção é Larry Long trazendo o subsecretário antidrogas nacional para fazer propaganda em entrevistas coletivas”, disse. “Eles estão começando a sacar o dinheiro da guerra às drogas e ir aos municípios com ele”.
Hannah está em uma luta solitária. Nenhum outro paciente de maconha medicinal no estado se levantou para ser contado junto a ela. Mas, isso não é surpreendente em um estado em que qualquer um que admitir consumir maconha pode receber uma ordem de busca e de se submeter a um exame toxicológico, para então ser processado por “ingestão ilegal” de maconha.
“As pessoas estão assustadas aqui”, disse Hannah. “Não só têm medo de sair, algumas pessoas que usam maconha medicinal me disseram que votaram contra ela porque tinham medo que a lei revistasse as urnas e as processasse de alguma forma. Já passou da hora de superarmos os temores e percebermos que isto se trata, na verdade, dos doentes e convalescentes”.
Embora Hannah e outros defensores da iniciativa estejam trabalhando freneticamente para garantir a vitória no dia 07 de Novembro, o resultado é “meio incerto”, disse ela. “Deparados com todas estas falsas afirmações da lei e com o medo no ar neste estado, não sei como resultará isto”.
Hannah tinha alguma esperança, apesar de tudo, citando o apoio surpreendente entre os agricultores e rancheiros no nordeste pouco povoado de tendências libertarianas do estado. “Isso é bom, mas a maior parte dos votos está no Leste, especialmente em Sioux Falls”, observou. Com uns 177.000 habitantes na área metropolitana, Sioux Falls responde por cerca de um quarto da população estadual.
“O oeste de Dakota do Sul é um lugar em que os foras-da-lei iam se esconder dela – e ficavam por aí -, então pode ser solo fértil para a maconha medicinal mesmo se somente pelo dinheiro dos impostos. Mas, se perderem em Sioux Falls, perdem em todo o estado”, disse o professor de ciências políticas de Dakota do Sul, David Vick. “A cidade esteve crescendo rapidamente e os pequenos municípios vizinhos viraram subúrbios, e votam como subúrbios”, disse ele à Crônica.
Vick não tinha muita esperança no sucesso da medida. “A minha opinião é que provavelmente não passará”, disse. “No leste do estado, há uma tendência a termos eleitores de princípios que adotam linhas religiosas e politicamente conservadoras quanto votam. A única maneira que vejo de aprovar isto é se as pessoas votassem nisso em um contragolpe contra a intrusão do governo ou o conservadorismo fiscal. Claro, há pessoas que tiveram a ajuda da maconha medicinal ou conheceram alguém nessa situação, e eles podem votar a favor dela”.
Agora, a batalha parece difícil em Dakota do Sul, mas não saberemos ao certo até que os votos sejam contados.

















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