Editorial: Os Reides Antidrogas Como Campanhas Publicitárias e Eleitoreiras Financiadas pelos Contribuintes
David Borden, Diretor Executivo, 20 de Outubro de 2006

David Borden
A ocasião foi questionada pelo grupo Safer Alternative for Enjoyable Recreation (SAFER), os defensores de uma iniciativa de legalização da maconha nas eleições estaduais do mês que vem. A nota à imprensa da SAFER chamou a entrevista coletiva de “um evento político orquestrado”, implicando que, na verdade, ao encenarem esta apreensão a esta altura do campeonato e dar-lhe publicidade, os guerreiros antidrogas locais estavam tentando influenciar as eleições que começam 19 dias depois, com a votação antecipada começando apenas quatro dias depois. (A SAFER também apontou que há listas em Denver para pelo menos 347 traficantes de álcool – uma droga mais perigosa do que a maconha de acordo com a SAFER e segundo qualquer outra leitura razoável científica sobre a questão.)
Na minha opinião, a escolha do momento abre suspeição sobre a motivação dos impositores. Os agentes do Colorado usaram o pretexto de uma apreensão de drogas para conduzirem em realidade uma campanha midiática/publicitária/eleitoreira às custas dos contribuintes (assim como às custas das pessoas presas)?
Se esse fosse o caso, não seria a primeira vez que algo assim acontece. Em 1991, me dizem, o tribunal federal em Charlottesville, Virgínia, corria o risco de ser fechado por motivos orçamentários, sendo que as suas operações seriam incorporadas a outras instalações vizinhas. Entra a “Operação Equinócio” [Operation Equinox], que presenciou a detenção de 12 integrantes de uma fraternidade sob acusações de delitos de drogas. O tribunal teve publicidade e uma aparente razão de ser e atualmente continua vivo e prosperando.
Neste ano na Califórnia, eles foram francos e disseram o que estavam fazendo. Uma nota à imprensa de Julho do gabinete do Procurador-Geral Locklyer sobre como “44 forças-tarefa lideradas pela Agência de Repressão aos Narcóticos do Departamento de Justiça da Califórnia... prenderam pelo menos 115 indivíduos e confiscaram pelo menos $11,9 milhões em drogas como parte de uma varredura de um dia da criminalidade em todo o país”, declarou que a operação “promoveu a continuação do financiamento do programa Subvenções Byrne de Assistência à Justiça que apóia a lei antidrogas municipal e estadual. O programa financiado federalmente tem sofrido cortes profundos durante os últimos anos”.
No negócio da advocacia, quando apresentamos eventos publicitários que esperamos que afetem o processo legislativo, isso é considerado fazer pressão. Estes 38 cidadãos do Colorado, 115 da Califórnia e os 12 integrantes da fraternidade da UVA e os demais em numerosas outras ocasiões eram peões nos jogos políticos jogados pela gente que detém o poder de encarcerar? Isso pode ser difícil de provar, mas está bem claro que essa dinâmica existe e às vezes não é tão difícil de prová-la. De fato, o procurador que busca processos de alta visibilidade e grandes números de condenações para incrementar a sua carreira política é uma criatura famosa e uma das mais poderosas no governo.
Esperemos que esta tática odiosa saia pela culatra dos agentes do Colorado – no dia 07 de Novembro!

















digg
reddit





