Matéria: A Maconha e a Religião - Clero de Nevada Adota a Legalização da Maconha
Foi a entrevista coletiva ouvida ao redor do mundo – ou pelo menos ao redor do país e em todos os quatro cantos de Nevada. Na terça-feira passada, quatro cleros de Nevada se alinharam com os organizadores da iniciativa de Nevada para regular e controlar a maconha para endossar publicamente a medida. Eles falaram em nome de pelo menos 33 cleros de Nevada que apoiaram a Questão 7, como a iniciativa é conhecida nas urnas.

Pregadores em prol da legalização da maconha – para a mídia, isso fez sentido e a cobertura da imprensa o demonstrou. De acordo com uma lista compilada pela Interfaith Drug Policy Initiative (IDPI), que estava envolvida fortemente na adesão do clero, a atenção da mídia incluiu a CNN, a MNBC, todos os grandes jornais em Nevada, várias matérias nas emissoras de tevê de Nevada e uma matéria na Associated Press que foi recolhida por pelo menos 37 órgãos em todo o país.
Por todo o estado de Nevada e do país, leitores e telespectadores ouviram pessoas como a Revª. Ruth Hanusa, capelã na Campus Christian Association e na Universidade de Nevada-Reno, explicar por que eles apoiavam o desafio às leis sobre a maconha. “Alguns de nós, protestantes, achamos que uma das funções do governo é diminuir o comportamento pecador”, disse. “Mas, as nossas leis sobre a maconha não estão diminuindo o consumo de maconha estão fazendo mais mal que bem ao encherem os bolsos de criminosos perigosos e garantirem que as crianças tenham o acesso mais fácil de todos”, disse ela.
Eles também ouviram o Rev. Paul Hansen, pastor sênior da Igreja Luterana do Espírito Santo em Las Vegas explicar por que ele apoiava a Questão 7. “Aparentemente, as nossas leis atuais sobre a maconha parecem ser morais, mas é uma moralidade cosmética”, disse Hansen. “As nossas leis atuais estão virtualmente ocasionando o acesso desimpedido à maconha. É mais fácil ter acesso à maconha do que ao álcool porque os traficantes de drogas não entregam cartões”, disse.
“Isto virou uma matéria importante porque a maioria das pessoas acha que a comunidade religiosa é o último lugar na terra para encontrar apoio ao fim da proibição da maconha”, disse Troy Dayton da IDPI, que tem passado grande parte do ano em Nevada. “Isto está fazendo muita diferença porque, pela sua própria natureza, remodela o debate. Esta questão da maconha se depara com muita bagagem cultural, décadas de campanha governamental de desinformação e uma ética puritana forte que adota um espírito de punição. Além do mais, muitos eleitores acham que estão votando na bondade ou na maldade da maconha; não em qual é a melhor política em relação à maconha que sirva à comunidade da melhor maneira”.
Conseguir o apoio de líderes comunitários tão respeitados é crucial para conseguir o apoio à causa, disse Dayton à Crônica da Guerra Contra as Drogas. “Não importa se o nosso lado tem raciocínios melhores se o eleitor médio descartar a questão sem um inquérito cuidadoso e aberto”, disse. “Quando o eleitor médio ficar sabendo do apoio dos líderes religiosos, primeiro consegue-se a atenção deles, e, segundo, a dissonância cognitiva desta realidade força uma remodelação da questão na mente dele. Ninguém pode acusar estes líderes religiosos de serem a favor do consumo da maconha e claramente eles são líderes morais respeitados na comunidade. Então, isto faz que as pessoas pensem, ‘Por que apóiam isto?’”

“O que sabemos é que esta é a primeira vez que tantos sacerdotes de denominações diferentes pediram explicitamente a regulação legal das fontes de acesso à maconha”, disse o diretor executivo da IDPI, Charles Thomas. “E isso aconteceu em razão de muito trabalho duro. Tínhamos Troy em Nevada durante cerca de cinco meses e o nosso Tyler Smith se juntou a ele durante algumas semanas. Eles viajaram pelo estado e se sentaram e conversaram frente a frente com os líderes religiosos e uma série destas pessoas não só aceitou a informação e a leu, mas também tomou alguns dias para rezar sobre isso. Rezar é uma forma de refletir de verdade sobre quais são os seus valores mais profundos”.
Um daqueles que refletiu com mais seriedade foi o Pastor Hansen. “Algumas pessoas da campanha me contataram nesta primavera e estava cético a princípio”, disse Hansen. “Achava que era um bando de pessoas que fumava maconha e queria a minha permissão, mas assim que comecei a investigar a questão, vi que há um movimento no mundo ocidental para repensar as nossas políticas em relação à maconha e achei que era uma posição justa”, disse ele à Crônica. “Quando se examina a questão e o que estão fazendo na Holanda e todas as conseqüências negativas imprevistas da lei seca, vejo muitas das mesmas coisas acontecendo em termos do crime organizado lucrando com um mercado negro e criminoso de maconha”.
O Pastor Hasen deixou claro que ele falava por si mesmo – não representava a sua igreja nem a sua congregação – enquanto lidava com a questão. Embora a sua posição pública a favor da Questão 7 tenha conseguido apoio, “também tenho tido algumas que expressaram o descontentamento delas”, observou obliquamente. “Os luteranos não concordam em muitas das questões”.
Os membros das outras denominações também não. Mas, ter líderes religiosos pronunciando-se a favor da legalização da maconha é um avanço para a causa e com a Questão 7 ficando atrás em algumas pesquisas, liderando com pequena margem em outras, a intervenção divina seria muito bem-vinda.















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