Matéria: Organizadores da iniciativa pró-maconha de Nevada vêem disputa difícil, porém vencível, ao entrarem na reta final
Nevada pode estar prestes a virar o primeiro estado a votar pelo fim da proibição da maconha. Quatro anos depois que o Marijuana Policy Project tentou ganhar pela primeira vez em Nevada, o grupo sediado em Washington, DC e o seu afiliado local, o Committee to Regulate and Control Marijuana (CRCM), têm uma pesquisa que mostra que a vitória está ao alcance deles.

página de propaganda da DEA em 2002 em oposição à iniciativa de Nevada da primeira vez
De acordo com os resultados internos da pesquisa lançados na semana passada, quando os eleitores em potencial ouviram o texto eleitoral real e foram inquiridos se votariam a favor da iniciativa pró-maconha, 49% disseram que sim enquanto que apenas 43% disseram que não. Essa pesquisa, conduzida por uma empresa de pesquisas da Califórnia conhecida nacionalmente, contradiz outra realizada pelo a href="http://news.rgj.com/apps/pbcs.dll/article?AID=/20060920/NEWS10/609200346/1002/NEWS" target=_blank_>Reno Gazette-Journal dias atrás que descobriu que a iniciativa perdia por uma margem de 37% a 55%. Na terça-feira, uma pesquisa do Las Vegas Review-Journal informou que a iniciativa perdia por 42% a 51%.
“As pesquisas coincidem”, disse o gerente de campanha do CRCM, Neal Levine. “A pesquisa do Reno Gazette-Journal perguntou se as pessoas favoreciam a legalização, o consumo, o porte e a transferência de maconha, enquanto que a nossa pesquisa usou o texto eleitoral real. A explanação da diferença está na redação da pergunta feita. A pesquisa do Review-Journal, embora nos mostre em desvantagem, mostra uma enorme tendência ascendente sobre a sua pesquisa anterior. O texto deles não era tão enviesado, mas mesmo assim não fez a pergunta sobre a qual os eleitores serão questionados. O que é consistente é que a campanha está crescendo nas pesquisas”, disse ele à Crônica da Guerra Contra as Drogas.
“O que temos visto durante todo este tempo é que as pesquisas nos acham quase empatados”, prosseguiu Levine. “Isso significa que temos uma chance de verdade agora e precisaremos que todo o nosso pessoal se inscreva e compareça a votar. Vamos fazer uma forte campanha”, prometeu.
“Estamos fazendo uma campanha muito agressiva”, disse Levine. “Temos um plano muito detalhado e nivelado, o qual já temos em processo de desenvolvimento, e estamos muito entusiasmados com as nossas chances. Temos uma nova animação eletrônica que explica a iniciativa em termos claros, temos uma maneira de disseminar viralmente as nossas coisas usando o Youtube, temos banco pela Internet. Somos o assunto de um documentário e parte do que conseguimos disso é que os cineastas estão transmitindo os webisódios semanalmente. O primeiro episódio será transmitido na sexta-feira”, disse. “Também estamos lançando o nosso primeiro comercial televisivo na rede nesta semana. E teremos muitas coisas acontecendo durante as próximas semanas”.
Se a campanha está crescendo nas pesquisas, a oposição está se preparando. Os opositores da medida organizados como a Nevada Coalitions Against Marijuana começaram a formar as fileiras de oponentes, inclusive a comissão da Comarca de Clark (Las Vegas); as câmaras de comércio de Las Vegas, Norte de Las Vegas e Reno Sparks; e a AFL-CIO de Nevada. Mas, o coração da oposição parece ser o establishment do aparato judiciário-legal de Nevada. O Xerife da Comarca de Clark, Bill Young, o Detetive da Polícia Metropolitana de Las Vegas, Todd Raybuck, e o Tenente da Polícia Metropolitana de Las Vegas, Stan Olsen, foram, por exemplo, as principais forças motrizes em fazer que a comissão da Comarca de Clark aprovasse a resolução que condena a medida.
Mas, essa ação pode ter metido os comissários e eles em problemas. A lei de Nevada proíbe os funcionários públicos de ser a favor ou contra iniciativas eleitorais e quando o CRCM soube da reunião, várias dúzias de defensores liderados por Levine apareceram para lembrá-los da lei. “De acordo com os Estatutos Revisados de Nevada 281.554, os funcionários e empregados do governo são proibidos de gastar fundos públicos, tempo ou recursos na oposição ou apoiar uma questão eleitoral”, disse Levine em um confronto televisionado com a comissão. “Esta regra se aplica à comissão da Comarca de Clark”. A comissão ignorou a denúncia de Levine e aprovou a resolução.
“Os estatutos de Nevada são bem claros. Assim que uma iniciativa estiver nas urnas, os funcionários públicos não podem usar recursos do governo para se posicionarem a favor ou contra ela”, explicou Levine. “Quando a comissão da Comarca de Clark, agindo a pedido do xerife, pôs uma resolução de oposição à nossa iniciativa na pauta, comparecemos para lhes dizer que isso era ilegal, mas eles fizeram isso mesmo assim. Eles infringiram a lei”.
O CRCM prestou queixa junto à Procuradoria-Geral de Nevada, que agora está considerando-a. Enquanto isso, o CRCM tem usado todo o episódio para granjear ainda mais atenção da imprensa. “Do ponto de vista político, usamos a sua infração da lei de sair a público e opor-se à nossa iniciativa para divulgarmos a nossa mensagem. Essa matéria foi coberta pelos meios de comunicação de todo o estado”.
O CRCM conseguiu fazer o mesmo tipo de jiu-jitsu político com a visita do diretor do Gabinete de Política Nacional de Controle das Drogas, John Walters, no início deste mês. Apesar de que a viagem dele ao estado de Nevada fosse ostensivamente para outros fins, Walters se pronunciou contra a iniciativa e até divulgou o endereço eletrônico da Nevada Coalitions Against Marijuana. “Consegui imprimir uma carta aberta no jornal de Reno e no semanário de Las Vegas criticando Walters por vir aqui e desperdiçar o dinheiro do contribuinte para se posicionar contra uma iniciativa estadual”, disse Levine.
Agora, com pouco mais de um mês até o dia das eleições, a campanha está ficando séria em ambos os lados. O CRCM está pronto para conseguir uma vitória histórica, mas parece que isto vai ser angustiante na noite das eleições.























