Sudoeste Asiático: Importante Acadêmico Dá Aula a Comitê de Relações Exteriores Sobre o Narcotráfico Afegão

o Afeganistão devastado pela guerra (foto do editor da Crônica, Phil Smith, 2005)
Rubin tratou da questão tanto em seus comentários preparados como em uma sessão de perguntas e respostas no fim da audiência. Vale a pena citar os comentários dele extensamente. Eis aqui o que ele disse em seus comentários preparados (disponível somente para assinantes):
”Sobre narcóticos, eu gostaria – às vezes, quando as pessoas pedem políticas mais enérgicas contra os narcóticos, o que eu apóio completamente, eles se concentram na erradicação de cultivos, como se a erradicação da planta fosse o ponto central da operação antinarcóticos. Eu diria que isso é um erro.
“Primeiro, temos que ser claros sobre qual é a meta das nossas políticas antinarcóticos no Afeganistão. De onde vem o dano? Não estamos tentando – ou não deveríamos tentar – solucionar o problema da dependência química do mundo no Afeganistão. Se nós, com toda a nossa capacidade, não conseguimos deter a dependência química nos Estados Unidos, com certeza não vamos usar a lei com sucesso para eliminarmos metade da economia do país mais pobre e mais armado do mundo.
“Portanto, devemos nos concentrar no dano real que vem do dinheiro das drogas. Agora, 80% do dinheiro das drogas dentro do Afeganistão, apesar dos 90% da renda total das drogas que saem do Afeganistão --, 80% do dinheiro das drogas dentro do Afeganistão estão nas mãos de traficantes e caudilhos, não de agricultores. Quando erradicamos os cultivos, o preço das papoulas sobe e os traficantes que têm estoques enriquecem. Portanto, deveríamos nos concentrar nos caudilhos e nos traficantes, na interdição e por aí vai, enquanto ajudamos os agricultores pobres. Isso também é consistente com os nossos interesses políticos de ganharmos os agricultores e isolarmos aqueles que estão contra a gente.
“Além disso, é um equívoco considerar o problema das drogas no Afeganistão como algo que está isolado nas grandes áreas de cultivo de papoulas. Por exemplo, agora há um combate na província de Helmand, que é a principal área de produção de papoulas no mundo. Porque acontecem os combates, não é possível implementarmos uma estratégia antinarcóticos em Helmand. Precisamos implementar o desenvolvimento rural por todo o Afeganistão, especialmente nas áreas em que não há papoulas, a fim de mostrarmos às pessoas o que é possível e construirmos uma economia alternativa”.
E aqui está um intercâmbio entre Rubin e os Senadores George Voinovich (R-OH) e Frank Lugar (R-IN):
VOINOVICH:
“Sr. Presidente, posso fazer uma última pergunta? Você aludiu à questão do problema das drogas nos Estados Unidos. Eu tive a impressão de que partes destas drogas estão chegando aos EUA. Isso é...
RUBIN:
Bom, talvez eu devesse ter dito o mundo desenvolvido. Na verdade, eu acho que o grosso dos narcóticos produzidos no Afeganistão é consumido no Irã e no Paquistão.
VOINOVICH:
Muito bem. Por isso os iranianos estão tão interessados em garantir que isso pare.
RUBIN:
Sim.
VOINOVICH:
O motivo pelo qual eu menciono nisto é que fiz que o nosso diretor local do FBI viesse de Cincinnati para me visitar e ele me disse, “Senador, a questão do terrorismo é uma com a qual estamos gravemente preocupados”. Mas, ele disse que o maior problema que temos aqui nos Estados Unidos ao qual não prestamos atenção é o problema das drogas e que nossos recursos estão sendo, você sabe, meio espalhados. E realmente temos que examinar isso. Ainda está ali e precisamos lidar com isso. Não estamos lhe dirigindo a nossa atenção. Acho que você se lembra de outra audiência que tivemos há um ou dois anos, recebemos as pessoas aqui e estavam falando sobre como a máfia russa é ativa nos Estados Unidos e parecia estar fazendo o que lhe desse na telha, porque não temos os recursos para lidarmos com esse problema. Então, a meu ver, você está dizendo que o maior mercado está naqueles países que você acabou de mencionar...
RUBIN:
Isso é em quantidades físicas. O maior mercado em dinheiro fica na Europa e, claro, nos Estados Unidos. Se puder acrescentar algo, se não se importarem que mencione algo que ouvi a outra câmara ontem, o Dr. Paul, um republicano do Texas, mencionou na audiência ontem que, no ponto de vista dele, nós fracassáramos em aprendermos as lições da lei seca, a qual, claramente, proporcionou o capital inicial ao crime organizado nos Estados Unidos, e que, na verdade, ao transformar o consumo de drogas em crime, estamos financiando o crime organizado e a insurgência ao redor do mundo. E pode ser que precisemos dar uma olhada nos outros métodos de regulamentação e tratamento.
VOINOVICH:
Obrigado.
LUGAR:
Obrigado, Senador Voinovich. O pensamento que o senhor acabou de expressar é fascinante, o de que apesar de que o grosso das drogas possa ser utilizado pelo Irã e pelo Paquistão, o valor mais alto daquelas que não são absorvidas por estes países vem da Europa e dos Estados Unidos. Por quê? Porque as pessoas certamente não as recebem de graça, mas, qual é a distribuição? Por que o Paquistão e o Irã são tão afligidos pelas drogas de...
RUBIN:
Bom, estão mais perto. Basicamente, o custo da produção é uma parte irrisória do preço dos narcóticos.
LUGAR:
Então, é o transporte...
RUBIN:
Não, não. É o risco, porque é ilegal.
LUGAR:
Entendo.
RUBIN:
Se não fosse ilegal, não valeriam quase nada. É apenas a ilegalidade deles o que os torna tão valiosos.
LUGAR:
Outro tópico fascinante. (RISOS) Bom, lhe agradecemos novamente pela sua ajuda (inaudível). A audiência está encerrado”.
Outro tópico fascinante, de fato. Pelo menos, alguém está tentando conscientizar os nossos servidores eleitos sobre as conseqüências econômicas e políticas da proibição das drogas – no Afeganistão, de qualquer maneira.












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