TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #550, Sep 05, 2008

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    Sudoeste Asiático: Importante Acadêmico Dá Aula a Comitê de Relações Exteriores Sobre o Narcotráfico Afegão

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    o Afeganistão devastado pela guerra (foto do editor da Crônica, Phil Smith, 2005)
    Embora o Presidente Hamid Karzai estivesse em Washington nesta semana para reuniões com o Presidente Bush e seus funcionários, e políticos em ambos os partidos estivessem pedindo mais gastos antidrogas no Afeganistão para tratarem do cultivo florescente de papoulas desse país, uma audiência do Senado pouco notada na semana passada proporcionou um verdadeiro curso sobre políticas racionais de drogas no Afeganistão. Em uma audiência do Comitê de Relações Exteriores do Senado no dia 21 de Setembro, o Professor Barnett Rubin da Universidade de Nova Iorque, talvez o principal especialista em Afeganistão do país, fez fortes críticas ao enfoque obsessivo na erradicação de cultivos e até sugeriu aos legisladores que pensassem em regulamentar o tráfico de ópio. Ultimamente, Rubin foi autor de Afghanistan: Uncertain Transition from Turmoil to Normalcy [Afeganistão: Transição Incerta da Desordem à Normalidade], publicado pelo Conselho de Relações Exteriores em Março.

    Rubin tratou da questão tanto em seus comentários preparados como em uma sessão de perguntas e respostas no fim da audiência. Vale a pena citar os comentários dele extensamente. Eis aqui o que ele disse em seus comentários preparados (disponível somente para assinantes):

    ”Sobre narcóticos, eu gostaria – às vezes, quando as pessoas pedem políticas mais enérgicas contra os narcóticos, o que eu apóio completamente, eles se concentram na erradicação de cultivos, como se a erradicação da planta fosse o ponto central da operação antinarcóticos. Eu diria que isso é um erro.

    “Primeiro, temos que ser claros sobre qual é a meta das nossas políticas antinarcóticos no Afeganistão. De onde vem o dano? Não estamos tentando – ou não deveríamos tentar – solucionar o problema da dependência química do mundo no Afeganistão. Se nós, com toda a nossa capacidade, não conseguimos deter a dependência química nos Estados Unidos, com certeza não vamos usar a lei com sucesso para eliminarmos metade da economia do país mais pobre e mais armado do mundo.

    “Portanto, devemos nos concentrar no dano real que vem do dinheiro das drogas. Agora, 80% do dinheiro das drogas dentro do Afeganistão, apesar dos 90% da renda total das drogas que saem do Afeganistão --, 80% do dinheiro das drogas dentro do Afeganistão estão nas mãos de traficantes e caudilhos, não de agricultores. Quando erradicamos os cultivos, o preço das papoulas sobe e os traficantes que têm estoques enriquecem. Portanto, deveríamos nos concentrar nos caudilhos e nos traficantes, na interdição e por aí vai, enquanto ajudamos os agricultores pobres. Isso também é consistente com os nossos interesses políticos de ganharmos os agricultores e isolarmos aqueles que estão contra a gente.

    “Além disso, é um equívoco considerar o problema das drogas no Afeganistão como algo que está isolado nas grandes áreas de cultivo de papoulas. Por exemplo, agora há um combate na província de Helmand, que é a principal área de produção de papoulas no mundo. Porque acontecem os combates, não é possível implementarmos uma estratégia antinarcóticos em Helmand. Precisamos implementar o desenvolvimento rural por todo o Afeganistão, especialmente nas áreas em que não há papoulas, a fim de mostrarmos às pessoas o que é possível e construirmos uma economia alternativa”.

    E aqui está um intercâmbio entre Rubin e os Senadores George Voinovich (R-OH) e Frank Lugar (R-IN):

    VOINOVICH:

    “Sr. Presidente, posso fazer uma última pergunta? Você aludiu à questão do problema das drogas nos Estados Unidos. Eu tive a impressão de que partes destas drogas estão chegando aos EUA. Isso é...

    RUBIN:

    Bom, talvez eu devesse ter dito o mundo desenvolvido. Na verdade, eu acho que o grosso dos narcóticos produzidos no Afeganistão é consumido no Irã e no Paquistão.

    VOINOVICH:

    Muito bem. Por isso os iranianos estão tão interessados em garantir que isso pare.

    RUBIN:

    Sim.

    VOINOVICH:

    O motivo pelo qual eu menciono nisto é que fiz que o nosso diretor local do FBI viesse de Cincinnati para me visitar e ele me disse, “Senador, a questão do terrorismo é uma com a qual estamos gravemente preocupados”. Mas, ele disse que o maior problema que temos aqui nos Estados Unidos ao qual não prestamos atenção é o problema das drogas e que nossos recursos estão sendo, você sabe, meio espalhados. E realmente temos que examinar isso. Ainda está ali e precisamos lidar com isso. Não estamos lhe dirigindo a nossa atenção. Acho que você se lembra de outra audiência que tivemos há um ou dois anos, recebemos as pessoas aqui e estavam falando sobre como a máfia russa é ativa nos Estados Unidos e parecia estar fazendo o que lhe desse na telha, porque não temos os recursos para lidarmos com esse problema. Então, a meu ver, você está dizendo que o maior mercado está naqueles países que você acabou de mencionar...

    RUBIN:

    Isso é em quantidades físicas. O maior mercado em dinheiro fica na Europa e, claro, nos Estados Unidos. Se puder acrescentar algo, se não se importarem que mencione algo que ouvi a outra câmara ontem, o Dr. Paul, um republicano do Texas, mencionou na audiência ontem que, no ponto de vista dele, nós fracassáramos em aprendermos as lições da lei seca, a qual, claramente, proporcionou o capital inicial ao crime organizado nos Estados Unidos, e que, na verdade, ao transformar o consumo de drogas em crime, estamos financiando o crime organizado e a insurgência ao redor do mundo. E pode ser que precisemos dar uma olhada nos outros métodos de regulamentação e tratamento.

    VOINOVICH:

    Obrigado.

    LUGAR:

    Obrigado, Senador Voinovich. O pensamento que o senhor acabou de expressar é fascinante, o de que apesar de que o grosso das drogas possa ser utilizado pelo Irã e pelo Paquistão, o valor mais alto daquelas que não são absorvidas por estes países vem da Europa e dos Estados Unidos. Por quê? Porque as pessoas certamente não as recebem de graça, mas, qual é a distribuição? Por que o Paquistão e o Irã são tão afligidos pelas drogas de...

    RUBIN:

    Bom, estão mais perto. Basicamente, o custo da produção é uma parte irrisória do preço dos narcóticos.

    LUGAR:

    Então, é o transporte...

    RUBIN:

    Não, não. É o risco, porque é ilegal.

    LUGAR:

    Entendo.

    RUBIN:

    Se não fosse ilegal, não valeriam quase nada. É apenas a ilegalidade deles o que os torna tão valiosos.

    LUGAR:

    Outro tópico fascinante. (RISOS) Bom, lhe agradecemos novamente pela sua ajuda (inaudível). A audiência está encerrado”.

    Outro tópico fascinante, de fato. Pelo menos, alguém está tentando conscientizar os nossos servidores eleitos sobre as conseqüências econômicas e políticas da proibição das drogas – no Afeganistão, de qualquer maneira.

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