TRUTH CAMPAIGN 08

Edição #550, Sep 05, 2008

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    Matéria: Reforma Federal da Condenação Vai a NASCAR

    Com o sistema federal de prisões cheinho e ainda crescendo, a pressão pela reforma da condenação está se acumulando. Um projeto que visa a ajudar ex-infratores, o Ato da Segunda Chance [Second Chance Act], está tramitando no Congresso e pode ser aprovado neste outono. Bem atrás disso está o H.R. 3072, um projeto que re-introduziria a liberdade condicional no sistema federal. E num esforço novo para ampliar o apoio ao projeto pró-condicional, alguns dos seus defensores estão levando a questão ao enorme público automobilístico de NASCAR.

    Na primeira da série de eventos de NASCAR, no dia 23 de Agosto a equipe Carter 2 Motorsports competirá na corrida em Bristol, Tennessee, usando essa oportunidade para dar publicidade ao projeto da condicional, assim como as organizações que respaldam o esforço, Federal CURE e FreeFeds. Espera-se que mais de 160.000 compareçam, com um público telespectador estimado em 3 milhões. O esforço também será o enfoque de um documentário da PBS com um público estimado em entre 10 e 14 milhões de telespectadores quando for transmitido.

    "Eu mesmo fui um preso federal", disse o homem forte da Carter 2 Motorsports, Roger Carter II, que cumpriu quase três anos por uma infração profissional. "Encontrei muita gente maravilhosa na prisão, infratores não-violentos da legislação antidrogas. Eu pude ir para casa após um par de anos, mas estes homens estavam cumprindo 10, 20, 30 anos ou mais", disse à Crônica da Guerra Contra as Drogas. "Não me entenda mal. Eu acho que as pessoas que infringem a lei devem ser punidas, mas isto se trata de punição proporcional e justa. O que dá seis meses nos tribunais estaduais pode dar seis anos no sistema federal e isso não está certo".

    Embora o esforço de Carter seja relativamente recente, ele é incentivado pela reação que está recebendo. "O apoio tem sido esmagador", disse. "As pessoas são realmente suscetíveis a isto e a imprensa está aceitando. A idéia é colocar isto ante o público porque as pessoas precisam ver aonde estão indo os seus dólares dos impostos. Qualquer um que der uma olhada no H.R. 3072 tem a satisfação de ver o que é uma abordagem de bom senso ao encarceramento ao invés de simplesmente tirar as pessoas da cadeia sem motivo nenhum", disse, acrescentando que ele tem mensagens sobre o H.R. 3072 pintadas no seu caminhão e stock-car do NASCAR, assim como nos seus sites e correios eletrônicos

    Desde que o Congresso aboliu a liberdade condicional na "reforma da condenação" de 1986, o sistema federal de prisões tem crescido progressivamente mais, cada vez mais cheio de infratores não-violentos da legislação antidrogas cumprindo sentenças longas sem nenhuma chance de soltura por bom comportamento, exceto em casos altamente limitados. Nesta semana, a Agência Federal de Prisões situou o seu cômputo de prisioneiros em mais de 191.000, com 54% cumprindo sentenças por delitos de drogas.

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    George Martorano (cortesia We Believe Group)
    Esse número inclui George Martorano, o homem que leva a distinção infeliz de ser o infrator não-violento que cumpre a pena mais longa em prisão federal até o dia de hoje, um destino que ele adquiriu através de uma infração primária por maconha. Agora, Martorano cumpre 23 anos de uma sentença de prisão perpétua sem chance de condicional. Foi a condição de Martorano que inspirou o habitante da Flórida, John Flahive, a juntar-se à luta pela reforma das penas.

    "Eu estava cortejando uma senhorita e uma noite quando estava na casa dele, o telefone tocou com uma mensagem. Era a ligação de um preso federal", explicou Flahive. "Era George e a senhorita era a irmã dele. Ela me disse que ele estava cumprindo prisão perpétua sem condicional e eu lhe perguntei quantas pessoas matou", disse à Crônica. "Ele não matou ninguém. Estava envolvido numa transação - cerca de 1ton90kg de maconha. Depois de algum tempo, fui visitá-lo e descobri que era um homem muito bom - ele escreve livros e ensina outros presos e tem uma ficha penal perfeita. Imaginamos que tínhamos que ajudá-lo de alguma maneira, então criamos o We Believe Group para tentar criar consciência da sua condição".

    Tem sido instrutivo, disse Flahive. "Comecei a trabalhar nisto há cinco anos atrás. Antes disso, não estava envolvido, nem sequer votava", explicou. "Achei que o caso de George era um erro, mas enquanto mais me envolvia, percebi que havia milhares de Georges apodrecendo ali dentro". Como resultado disso, Flahive ampliou o ativismo dele e agora trabalha para aprovar a legislação de reforma das penas no Congresso. Ele também se dirigirá às pistas de NASCAR junto com Carter num esforço para levar a mensagem às massas de fãs do automobilismo.

    "Estou trabalhando com a Federal CURE nisto", disse. "Eles têm dois reboques que vestiremos com o H.R. 3072 e teremos muito material para distribuir. As pessoas ouvem quando lhes dizem que se pagam impostos federais são afetadas pelo custo do sistema federal de prisões. A liberdade condicional economizaria $4 bilhões ao ano", afirmou Flahive.

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    o Dep. Danny Davis
    A liberdade condicional federal esteve por aí durante algum tempo e foi originalmente defendida pela Depª. Patsy Mink (D-HI), mas desde a sua morte inesperada em 2002, o Dep. Danny Davis (D-IL) aceitou o desafio e agora é o principal defensor. Davis estava viajando e não pôde comentar nesta semana, mas o diretor de comunicação dele, Ira Cohen, disse à Crônica que o projeto faz uso de toda a ajuda que puder receber. "O Dep. Davis sente orgulho de tudo o que conseguiu com o Ato da Segunda Chance e o projeto da condicional e continua buscando apoio", disse Cohen.

    Uma fonte próxima a Davis disse à Crônica que Davis está se concentrando neste outono no Ato da Segunda Chance como forma de abrir a porta a uma discussão séria da reforma das penas no Congresso. "A estratégia sempre tem sido a de fazer pressão pela aprovação de outro projeto primeiro e agora o Ato da Segunda Chance está muito perto", disse a fonte. "Se for aprovado, o congressista pretende usar essa oportunidade para ter esta discussão geral sobre o projeto da condicional porque abrirá toda a questão da reforma geral da justiça criminal federal".

    Mas Flahive, Carter e 100.000 presos federais da guerra às drogas não estão esperando que o Congresso aja - estão pressionando-o para que aja. Além da corrida de Bristol no dia 23, Carter e o reboque H.R. 3072 dele competirão nos circuitos de NASCAR em Novo Hampshire, Martinsville e Homestead e levarão a mensagem às massas. "Como qualquer outra coisa, assim que isto conseguir algum ímpeto, assim que os políticos virem que podem se beneficiar votando a favor disto, tudo estará terminado. Estamos aqui para ajudar as pessoas a levar os políticos a esse ponto".

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