África: ONGs criticam a ênfase na diminuição da oferta de drogas e instam atenção à redução da demanda
No fim de semana passado, organizações não-governamentais (ONGs) de toda África Ocidental e Central em Dacar, no Senegal, criticaram as Nações Unidas (ONU) e os governos de suas regiões por se concentrarem na redução da oferta de drogas até o ponto de ignorar as estratégias de redução da demanda, de acordo com o IRIN, o serviço de notícias da ONU.
A região tem recebido cada vez mais atenção nos últimos meses como ponto de baldeação para a cocaína sul-americana encaminhada aos insaciáveis mercados europeus. Também produz maconha para consumo doméstico e exportação para a Europa.
Embora o dinheiro esteja começando a fluir na região em uma tentativa de suprimir o tráfico, isso não se compara com as verbas para o tratamento e a prevenção, disseram os delegados na reunião, parte de um fórum global de ONGs chamado “Além de 2008” e coordenado pelo Comitê sobre as Drogas Narcóticas da ONG de Viena.
“Há um desequilíbrio total a respeito dos meios dados aos diferentes atores na luta contra as drogas”, disse Cheikh Diop, presidente da Federação de ONGs Senegalesas Lutando Contra as Drogas, ao IRIN. “Tanto dinheiro é investido na luta contra o tráfico ou na redução da oferta; mas, quando se trata de reduzir a demanda – ou aos próprios usuários -, as organizações que trabalham nesta abordagem quase não têm recursos financeiros”.
“Não temos os recursos para fazermos o que queremos”, disse Abdoulaye Diouf, organizador local da reunião e gerente do senegalês centro Jacques Chirac de informação e consciência das drogas.
“A luta contra as drogas nunca terá sucesso somente através da repressão”, disse Diop da federação antidrogas. “Por quanto tempo temos prendido as pessoas? E por quanto tempo o problema tem continuado?”
Ele disse que há poucas instalações de tratamento disponíveis para consumidores de drogas na África Ocidental. Os meninos pobres de rua que caem nas drogas precisam receber alternativas e a população em geral deve ser conscientizada a propósito dos riscos do consumo de drogas, disse.
As ONGs se envolveram profundamente na luta para reduzir o consumo de drogas desde a sessão especial da Assembléia Geral da ONU sobre o problema global da droga em 1998, mas reclamam que lhes faltam recursos e treinamento em pesquisa, análise e marketing. E os governos as ignoram com demasiada freqüência, disseram.
“Quase não há colaboração entre ONGs e governo”, disse Diouf. “Quando se trata de planejar e implementar atividades, as ONGs são ignoradas em muitos países”.















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